sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Street Art


Neste ameno dia de S. Mateus, não querendo abusar da confiança, deixo aqui uma sugestão ao meu querido Jorge Sobrado, Vereador para as questões da Cultura. Na próxima edição do Festival de Street Art, evento que começa a ganhar raízes, não se esqueçam ou, por outra, avivem a memória de um dos nossos melhores, Luís Miguel Nava.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

A mudança (ainda não) está a passar por aqui!



Sabemos que vivemos num país singular, quando passados cento e trinta anos após a sua publicação original, as tiradas de João da Ega, em “Os Maias”, se apresentam tão efectivas como à época.
Hoje, menosprezando a qualidade sintáctica do discurso, ninguém estranhará bordões do calibre de: "A necessidade de banhos morais está-se tornando com efeito tão frequente! Devia haver na cidade um estabelecimento para eles.” De facto, os Portugueses, assumindo que isto começa com D. Afonso Henriques, ao longo dos últimos oitocentos e noventa anos, deram provas de serem mestres na materialização da teoria de Don Fabrizio Tancredi, Príncipe de Falconeri, em “Il Gattopardo”: “Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude”.
Por Viseu, é certo e sabido, somos portugueses à séria, enxergando bem, será possível encontrar sangue de D. Afonso Henriques a pulsar nossas veias, tal a aversão à mudança. Por carácter, um viseense não se eterniza numa função, um viseense e-ter-ni-za-se-num-lu-gar-e-quan-do-for-ça-do-a-sa-ir-ga-ran-te-ou-tro-ta-cho! 
Temos por raros os exemplos de altruísmo, entrega à causa pública, de viseenses renascentistas na verdadeira acepção da palavra. Gente despegada das tentações mundanas, indiferente às vontades do ego, se por um lado reconhecidamente literatos, cultos e de espírito humanista, por outro homens das ciências, da economia e do associativismo. Figuras capazes de colocar todo o seu património cultural e capacidade ao serviço da região, não esperando nada em troca.
Mas do nevoeiro mais cerrado do Séc XXI, vindo dos lados de Tondela, via IP3, surgiu uma possibilidade de D. Sebastião, um nosso Viriato regressado, uma promessa de um Quinto Império de origem beirã espreitava! 
Por estes já longos anos, tivemos o prazer de ter o Dr. João Cotta ao nosso serviço. Um homem de consensos que se move com a mesma facilidade nos estreitos corredores do CDS como nos populosos corredores do PSD e, quem sabe, capaz de usar Aliança ou abrir portas à esquerda. Homem de cultura, devoto do nosso Aquilino sobre o qual verteu poucas mas preciosas linhas. Empresário de sucesso. Rupert Murdoch do Entre-Vouga-e-Dão. Uma espécie de Mário Nogueira de todas as nossas associações. O nosso mais talentoso representante cessa agora funções políticas. Para a história, caso não seja reescrita por mão própria ou alheia, fica o mais puro exemplo de altruísmo e dedicação à causa pública.
Como irrepetível, fica a época em que, num golpe de génio até então apenas acessível a Fernando Pessoa, foi possível a João Cotta, Presidente da AIRV, reunir com João Cotta Presidente do CERV, acompanhados por João Cotta, Presidente do Conselho Geral do IPV, e, ainda por, João Cotta, Vice-presidente da Mesa Assembleia Municipal, de modo a tomarem posição na defesa do IPV. Intervenção que acaba publicada nas páginas do Jornal de João Cotta. Este parágrafo, aqui tosco, em mãos de bom poeta dava uma “Autopsicografia” e pêras!
Como o leitor mais inteligente percebeu, estamos vésperas de uma época em que tudo mudará para que as coisas permaneçam exactamente iguais. Por Viseu, de volta ao nevoeiro, esperamos novo D. Sebastião. Desta feita, se não for pedir muito, aguardamos que “O Desejado” se limite a montar um cavalo à vez.