terça-feira, 16 de outubro de 2018

Protocalo


Nem PR ao centro, nem autarca ao lado. En garde que El-Rei D. Sebastião, Duque dos Arrabaldes de Gaia e "O Próximo" na linha de sucessão, chegou!

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Street Art


Neste ameno dia de S. Mateus, não querendo abusar da confiança, deixo aqui uma sugestão ao meu querido Jorge Sobrado, Vereador para as questões da Cultura. Na próxima edição do Festival de Street Art, evento que começa a ganhar raízes, não se esqueçam ou, por outra, avivem a memória de um dos nossos melhores, Luís Miguel Nava.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

A mudança (ainda não) está a passar por aqui!



Sabemos que vivemos num país singular, quando passados cento e trinta anos após a sua publicação original, as tiradas de João da Ega, em “Os Maias”, se apresentam tão efectivas como à época.
Hoje, menosprezando a qualidade sintáctica do discurso, ninguém estranhará bordões do calibre de: "A necessidade de banhos morais está-se tornando com efeito tão frequente! Devia haver na cidade um estabelecimento para eles.” De facto, os Portugueses, assumindo que isto começa com D. Afonso Henriques, ao longo dos últimos oitocentos e noventa anos, deram provas de serem mestres na materialização da teoria de Don Fabrizio Tancredi, Príncipe de Falconeri, em “Il Gattopardo”: “Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude”.
Por Viseu, é certo e sabido, somos portugueses à séria, enxergando bem, será possível encontrar sangue de D. Afonso Henriques a pulsar nossas veias, tal a aversão à mudança. Por carácter, um viseense não se eterniza numa função, um viseense e-ter-ni-za-se-num-lu-gar-e-quan-do-for-ça-do-a-sa-ir-ga-ran-te-ou-tro-ta-cho! 
Temos por raros os exemplos de altruísmo, entrega à causa pública, de viseenses renascentistas na verdadeira acepção da palavra. Gente despegada das tentações mundanas, indiferente às vontades do ego, se por um lado reconhecidamente literatos, cultos e de espírito humanista, por outro homens das ciências, da economia e do associativismo. Figuras capazes de colocar todo o seu património cultural e capacidade ao serviço da região, não esperando nada em troca.
Mas do nevoeiro mais cerrado do Séc XXI, vindo dos lados de Tondela, via IP3, surgiu uma possibilidade de D. Sebastião, um nosso Viriato regressado, uma promessa de um Quinto Império de origem beirã espreitava! 
Por estes já longos anos, tivemos o prazer de ter o Dr. João Cotta ao nosso serviço. Um homem de consensos que se move com a mesma facilidade nos estreitos corredores do CDS como nos populosos corredores do PSD e, quem sabe, capaz de usar Aliança ou abrir portas à esquerda. Homem de cultura, devoto do nosso Aquilino sobre o qual verteu poucas mas preciosas linhas. Empresário de sucesso. Rupert Murdoch do Entre-Vouga-e-Dão. Uma espécie de Mário Nogueira de todas as nossas associações. O nosso mais talentoso representante cessa agora funções políticas. Para a história, caso não seja reescrita por mão própria ou alheia, fica o mais puro exemplo de altruísmo e dedicação à causa pública.
Como irrepetível, fica a época em que, num golpe de génio até então apenas acessível a Fernando Pessoa, foi possível a João Cotta, Presidente da AIRV, reunir com João Cotta Presidente do CERV, acompanhados por João Cotta, Presidente do Conselho Geral do IPV, e, ainda por, João Cotta, Vice-presidente da Mesa Assembleia Municipal, de modo a tomarem posição na defesa do IPV. Intervenção que acaba publicada nas páginas do Jornal de João Cotta. Este parágrafo, aqui tosco, em mãos de bom poeta dava uma “Autopsicografia” e pêras!
Como o leitor mais inteligente percebeu, estamos vésperas de uma época em que tudo mudará para que as coisas permaneçam exactamente iguais. Por Viseu, de volta ao nevoeiro, esperamos novo D. Sebastião. Desta feita, se não for pedir muito, aguardamos que “O Desejado” se limite a montar um cavalo à vez.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Aeródromo Gonçalves Lobato


Após uma leitura atenta da entrevista que o director do Aeródromo Gonçalves Lobato concedeu ao Jornal Digital Dão e Demo, resulta uma opinião francamente positiva, não só sobre percurso profissional do actual gestor, mas também sobre o trabalho que tem sido desenvolvido, nos últimos tempos, naquele espaço inaugurado a 16 de Março de 1966.
Se o leitor recuar um punhado de anos, recordará um aeródromo quase abandonado, silenciosamente aguardando por nenhum futuro. Pois bem, em 2018 esse futuro não poderia estar mais distante do presente.
Numa época em que quase todos os distritos pedem um aeroporto internacional, é certo que, no curto ou médio prazo, Viseu dificilmente terá uma infraestrutura nesses termos. Todavia, com as intervenções de que tem sido alvo (a custos aparentemente compatíveis com a disponibilidade financeira do município), o nosso Gonçalves Lobato cumpre cada vez mais e melhor o fim para que foi projectado.
Com a linha regional, desde 2015, a impulsionar a actividade, apresentando taxas de ocupação cada vez mais altas; com o aumento do tráfego aéreo privado e a contínua actividade do ACV; apoiando diversos movimentos de protecção civil e apoio a emergências, este equipamento cumpre a sua missão garantindo um serviço público de qualidade e em segurança para os seus utentes.
Sabendo que mais vale ter um bom aeródromo (a exemplo do que se passa em Tires) do que um aeroporto vazio (repetindo Beja), sem entrar em loucuras, mas reforçando os níveis de compromisso com a infraestrutura, passo a passo, será possível reforçar a sua importância regional como espaço aeronáutico, cabe ao município cumprir este desígnio. Parecendo certo que a direcção tem trabalhado bem, dentro de anos saberemos se o poder político a soube acompanhar para bem da região.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Cidade Efémera

"Enquadramento
[cidade efémera 1] As palavras que se vão seguir partem de um facto concreto, a destruição de uma horta urbana, em Viseu, para algumas reflexões sobre a própria cidade, sobre cidadania. 
Os arquitetos Luís Pedro Seixas e Nuno Vasconcelos, desenharam uma horta, Jardim Alimentar, para ser implantada no espaço do antigo Mercado 2 de Maio, no coração da cidade de Viseu. A iniciativa estava enquadrada nos Jardins Efémeros, uma criação de Sandra Oliveira. 
O projeto utilizou paletes em madeira para definir um espaço que não albergava apenas mais de 20 espécies hortícolas — como manjericão, salsa, várias diferentes alfaces, cebola, courgettes, abóbora, beterraba, etc — como criava um recinto de estar, com várias dezenas de lugares para quem quisesse se sentar. A peça, de desenho cuidado e muito bem articulado com a envolvente, dialogava com as árvores da praça, que ensombravam um parte daquela área. De algum modo esta horta também evocava a própria memória daquele espaço, um antigo mercado, há décadas reconvertido em espaço de lazer. Era o regresso dos produtos hortícolas a um lugar que fora nevrálgico dentro da cidade como ponto de encontro de toda uma comunidade. Era assim com todas as vilas e cidades portuguesas até as dinâmicas evolutivas do comércio assumirem outras formas. 
O desenvolvimento e implementação deste projeto estava articulado com várias escolas do ensino básico do município. As crianças eram levadas ao local e estimuladas a cuidar da horta, a conhecerem as suas espécies e a relacionarem o que ali viam com alguns dos mais saudáveis alimentos de que podemos dispor no nosso quotidiano.

Homenagem
[cidade efémera 2] Mas esta horta era também mais do que isso. Foi uma homenagem breve ao mundo rural. Foi o trazer para dentro da cidade a dignidade de quem, nos campos, permanece a cultivar os solos, a desenhar, em jardins, paisagens que hoje vão estando cada vez mais dadas ao abandono. O grave problema da demanda das terras é o abandono da sustentabilidade de uma parte muito significativa do território. O abandono, sabemo-lo hoje, de forma muito clara, significa fogo, mais tarde ou mais cedo. Compreendamos a dureza da labor da terra, mostremos a nossa gratidão a quem resiste no seu trabalho e permanece erguido numa luta milenar, que é, também, a luta da própria civilização. 
Esta homenagem ao mundo rural que a horta do Mercado 2 de Maio representou é especialmente significativa na cidade em que aconteceu: Viseu. A cidade está rodeada de centenas de aldeias e lugares, dentro dos limites do seu próprio concelho. Em 2015 no âmbito de um projeto proposto ao concurso Viseu Terceiro, e financiado parcialmente pela Câmara Municipal de Viseu, tive a oportunidade de fotografar 240 aldeias e cerca de 160 outros lugares de povoamento humano menos acentuado. Este é um território com numerosos pontos de interesse e é esta malha labiríntica de um povoamento humano milenar que esta horta também prestava homenagem. Foi o trazer a nobreza da agricultura, de uma beleza que poucas vezes, urbanos, reparamos, para o centro cívico de uma cidade.


Destruição
[cidade efémera 3] No dia 18 de julho a horta foi arrancada e, nos mesmos canteiros, foram plantadas flores, como aquelas que encontramos em várias rotundas da cidade. No espaço central da antiga horta foi aplicada uma “carpete” de plástico brilhante de cor verde. Contraditoriamente permaneceram as palavras das crianças que tinham ajudado a plantar a horta. A estimativa para a recolha dos alimentos ali produzidos apontava para o final de agosto ou princípio de setembro próximo, pois nessa altura estaria concluído o ciclo produtivo da maior parte daquelas espécies vegetais. Nesse momento, que assinalava o fim deste singular projeto, seria cozinhada uma sopa comunitária e servida aos cidadãos da cidade. Tudo tinha o detalhe e a sabedoria de uma construção coletiva que fluía naturalmente.

Futuro
[cidade efémera 4] Decorrente do trabalho que tenho desenvolvido sobre o mapeamento do espaço português, já percorri e fotografei todas as cidades do nosso país. Não tenho dúvidas em afirmar que Viseu é a mais bem estruturada cidade de Portugal, em termos da sua malha urbana e fluidez de tráfego. São também relativamente reduzidas as formas mais agressivas de um urbanismo descontrolado como vemos em tantas outras urbes. O centro histórico, sem deixar de ter alguns problemas, está relativamente preservado. Viseu tem um potencial muito positivo como exemplo de boas práticas, de relação entre a própria malha urbana e a ruralidade que a envolve. Este projeto da horta levantava essa questão de forma muito clara. Era a criatividade de quem acredita na sua cidade, de quem nela vive, que procura construir esse percurso alternativo que não passa por ações de marketing esvaziadas de conteúdo. Os Jardins Efémeros, dentro dos quais esta iniciativa se enquadrava, são um espaço de diferença, irreverência e inovação. São, todos os anos, um contributo muito significativo para uma cidade nova, de que faz parte a Natureza, seja na forma perplexa da sua pujança evolutiva, seja na miríade de afeiçoamentos que a humanidade, à escala planetária, com ela tem dialogado desde os primeiros passos de um processo de uns poucos milhões de anos. Se há uma ruralidade em declínio, gestos simples, economicamente acessíveis, podem criar uma nova sensibilidade para as questões que gravitam em torno da sustentabilidade dos territórios. Que a destruição de uma horta não seja o prenúncio de uma cidade efémera."


Texto de Duarte Belo, Cidade Infinita 

Foi bonita a festa, pá!


Se a frequência do mural do Município de Viseu não me tivesse sido bloqueada, lá ia comentar que o Europeade valeu a pena. Assim, tenham a gentileza de lhes transmitir a mensagem, grato! 

Para vossa segurança não digam que vão da minha parte.

domingo, 29 de julho de 2018

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Folk do Delta do Dão


O Viseense não sabe programar, garante o nosso Sobrado preferido. De modo a provar o Vereador-Rei certo, deixo aqui um best off de álbuns nascidos durante um #Viseufolk à medida de beirões:
- Bob Dylan - The Times They Are A-Changin
- The Pogues – Rum Sodomy and the Lash
-The Watersons – Frost and Fire
- Bon Iver – For Emma, Forever Ago
- Nick Drake – Five Leaves Left
- Devendra Benhart - Niño Rojo
- Bonnie 'Prince' Billy - I See a Darkness
- Elliott Smith - Elliott Smith
- Jack White - Live at The Adega Cooperativa de Silgueiros

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Viseu Folk



Quando falaram em Folk ainda pensei nos White Stripes, em pleno Fontelo, a darem tudo numa cover do Dylan. Como sempre, estava enganado! 

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Ao Domingo Viseu tem...



Ao Domingo Viseu não tem: Transportes Públicos; Recolha de Resíduos Urbanos; Bibliotecas. 

Ao Domingo Viseu tem: Núcleo Municipal de Recolha de Cartazes

...


Aqui jaz a presidência de António Almeida Henriques (2013-20XX), tendo o Vereador-Rei Jorge Sobrado lançado a primeira lápide.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Europeade


Admito que tenho dois handicaps impeditivos de ser bom programador cultural, sou viseense e não sou discípulo do dr. Sobrado. Declarada a minha santa ignorância, tenho de vos dizer que ainda assim um homem tem direito a sonhar (neste caso programar). Portanto, tendo em conta que na próxima semana se realiza o Europeade, acolhendo a cidade muito estrangeiro trajado à lavrador, não seria boa ideia a C.M.V aproveitar a mão-de-obra de modo a amanhar o Parque Urbano da Aguieira? Sempre se deixava o pessoal da CMV livre para a limpeza do IP3, enquanto se poupavam alguns euros para investimento estratégico em propaganda. Pensem nisto que eu não vou cobrar direitos de autor (saio mais baratinho ao município que o gabinete de comunicação). 

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Selva Urbana da Aguieira


Interior (em coma) profundo

Décadas de fundos comunitários e muito pouco tem sido feito para tornar o interior uma região competitiva. A cada governo, um punhado de medidas paliativas vocacionadas, apenas e só, para o momento eleitoral seguinte, portanto inconsequentes. Hoje, como ontem, falta o essencial; fazer do interior uma região viável para pessoas e empresas. Sem o Estado presente, sem uma economia forte, sem rede de transportes, sem oferta de emprego, sem acesso a tecnologia, sem ensino superior que investigue e dê resposta às necessidades regionais, podem anunciar as medidas que entenderem, que a população continuará a pagar portagens para sair.

Feirar?


Em entrevista, Álvaro Covões, responsável pelo sucesso do Nos Alive, quando pensa num exemplo de Feira com uma abordagem moderna à programação, sem hesitar, refere a FATACIL. Aparentemente, por Viseu, nem sabemos fazer (segundo o douto vereador da Cultura) nem nos sabem ensinar (5 anos de puro génio e além Dão permanecemos anónimos). Caso para dizer: Embrulha o ego e vai Feirar!

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Em So(m)brado


Na última noite, durante a apresentação da digníssima Feira de S. Mateus, o Dr. Sobrado toma o púlpito, faz os agradecimentos devidos e, ainda no pré-clímax da sua pregação (sabemos que um vereador não é de ferro, portanto devemos conceder o direito ao clímax ocasional), afirma que está formar "grandes quadros em Viseu". Naquele momento, ficámos a saber que, graças à sua intervenção, num futuro não muito distante, Viseu terá gente competente em áreas como a comunicação, a gestão, a programação, logística, entre outras. Assim, um espectador mais desatento poderia assumir que, durante centenas de anos, o povo de Viseu atravessou um metafórico deserto de competências e quadros, agora, guiado pelo verdadeiro Messias, este nobre povo atingiu a terra prometida. Sobrado acrescenta que não faltará muito para que ele não seja necessário entre nós, um apóstolo não existe sem missão e a do Dr. Sobrado está quase concluída. O público, filho da carne, jubiloso por finalmente estar perante um filho da promessa, aplaude. Na minha aldeia, composta por gente séria, trabalhadora, competente, mas pouco ortodoxa nos modos, estava apresentada a dica para pegar o santinho em ombros, não esquecendo o andor, e devolver à procedência.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Do Interior


Na segunda metade do século XVIII, com a primeira revolução industrial, por toda a Europa assistem-se a grandes movimentos migratórios do meio rural para o meio urbano. Esta revolução chega a Portugal, ainda que de forma ténue, já no século XIX. A partir desse instante as populações, de forma paulatina, começam a fazer o seu caminho do campo para a cidade em busca de melhores condições de vida. Num processo até ao momento irreversível, ora forte ora fraco, Portugal assistiu à debandada de uma percentagem significativa de gentes do interior para o litoral e para o mundo.
Desde 1974, com a mudança de regime e consequente entrada de fundos europeus, graças ao trabalho de autarquias, IPSS's, investidores, agentes culturais e sociedade civil, a qualidade de vida das populações no interior sofreu uma evolução assinalável. Assim, nos cuidados paliativos, durante as últimas cinco décadas o interior foi resistindo e as populações, resilientes, foram andando. A realidade é que o fosso económico entre o litoral e interior não parou de aumentar, tal facto redobrou a capacidade de atracção de Lisboa e Porto em detrimento do interior.
Chegados a 2018, ainda não conseguimos estancar a hemorragia demográfica e, de Bragança a Beja, teimamos em ser uma região pouco atractiva tanto para portugueses como para estrangeiros em busca de residência em Portugal.
Neste momento, estima-se que o litoral concentre: 80% da riqueza nacional; perto de 90% dos alunos do ensino superior; 89% das dormidas e 83% da população jovem.
Historicamente sabemos que o principal motivo para as migrações é o factor económico. Quantos portugueses emigraram para França porque as francesas são liberais nos costumes? Quantos portugueses tiveram como destino a Alemanha porque a cerveja é variada? Quantos portugueses rumaram a Londres porque sonham viver numa monarquia? Quantos Portugueses optaram por Itália porque a comida é fantástica? Quantos portugueses procuraram emprego no Canadá porque preferem neve? Quantos Portugueses vivem no pacífico porque a água do mar é quente? A resposta é simples, nenhum. Apenas quando debelarmos o problema económico limitaremos a hemorragia demográfica, até lá nada feito.
Em qualquer rua do interior temos, de um lado, um jovem pouco qualificado que opta por sair porque não consegue sobreviver com o ordenado mínimo, do outro lado, ainda da mesma rua, um jovem qualificado não fica porque as suas expectativas de carreira profissional não podem ser cumpridas. Se é para o interior sobreviver, necessitamos, sem demoras, de um conjunto transversal de políticas públicas, de apoio à economia, que facilitem o investimento e a iniciativa privada, da fiscalidade à justiça, do turismo à educação e aos transportes. De uma política fiscal que privilegie quem cá está e quem vier.
Desde os incêndios de 2017, o Presidente da República, o Governo, os movimentos pelo interior, podem estar cheios de boas intenções, mas a verdade é que ainda nada de substantivo foi feito. Já os representantes locais, até ao momento, não demonstraram grande capacidade para se reunirem em torno de um desejo comum.
Sempre que esta discussão chega aos média, cuja agenda raramente passa as fronteiras de Lisboa e Porto, adopta-se um tom bucólico e paternalista. Ali, o interior não passa do sítio onde se come bem e se descansa, contemplando uma paisagem magnífica, local onde muito pontualmente surge algum projecto interessante. Essa imagem, que pouco ou nada faz pelo interior, também é reflexo da incapacidade para apresentar líderes aglutinadores e capazes defender os nossos interesses de forma efectiva. Cabe a estes líderes naturais, que ainda não surgiram, tomar a dianteira do debate e serem levados a sério por Lisboa, apoio do Presidente da República certamente não faltará.

Rua Direita Viseu







terça-feira, 17 de abril de 2018

A Herança


Desde o apogeu do Império Romano, existem duas regras universais sobre o "Bom Pater Familias", enumero:
A) Ele é Benfiquista. 
B) Ele deixa herança (seja esta material ou imaterial). 

Como o leitor saberá, nada existe sem um problema. O problema das heranças cai, irremediavelmente, na sucessão. Se ela é boa, todo o esforço, do agora defunto, terá valido a pena. Se ela é má, o defunto, munido de razão, dará duas voltas na campa e amaldiçoará para todo o sempre a sua descendência. 

Se o leitor considerar a nossa comunidade como família alargada, não sabendo qual a preferência clubística, não poderá negar que o Dr. Ruas deixou herança. Então, vamos assumir o Dr. Ruas como um bom pai que deixando herança poderá não ser benfiquista, mas seria certamente fã de Ayrton Senna. Como é do domínio público, ser fã de Ayrton Senna tem propriedades morais equivalentes a ser benfiquista, lava a alma de qualquer ser humano. 

Agora vem o tal problema: Ao fim de cinco anos a herança viseense aproxima-se a passos largos da Tragédia de Sófocles. Na tentativa de superar o pai, lavando ruas e avenidas da sua memória, o herdeiro decide eliminar ou recriar as obras mais emblemáticas/problemáticas do Ruísmo: Mercado 2 de Maio, Novo Mercado, Bairro Municipal-Demolição e Funicular. Superar o paizão, saindo em ombros, é a utopia do melhor dos Édipos. O Dr. Sobrado, letrado, saberá explicar isto melhor que eu.

Certo é que nestes 5 anos, o autarca-herdeiro, apenas se limitou a anúncios, numa espécie de ameaça madrugadora: "Pai, eu consigo fazer melhor que tu, mas agora deixa-me dormir, até à hora de almoço, porque ontem o evento terminou tarde". 

Existe a esperança que talvez, depois do almoço, vá a tempo de perceber que o verdadeiro valor está em criar, em pensar o próprio mundo. Limitando-se a recriar não ultrapassará a figura do herdeiro sem talentos reconhecidos, nunca será criador à imagem do pai. A sua única obra será a ideia nunca concretizada de apagar a obra paternal. 

De pretendente ao lugar de "Rei-Sol da Cidade-Região" a protagonista da "Melhor Adaptação Viseense de Uma Tragédia Grega" vai um curto passo. Não há nenhum Freud por aí que possa explicar isto?