1.
“Não há eleições sem
sondagens, tal como não há bruxas sem bolas de cristal.” Era mais ou menos
assim que, às 08h, de um Outono de 2007, que começava mais uma aula de Estudos
Eleitorais. Chego a 2013 e confirmo, a academia não anda a dormir. Mais umas
eleições, mais umas sondagens, mais uma visita à Maya -caro leitor, nunca negue
à partida uma ciência que desconhece. A última sondagem atribui 48% a Almeida Henriques; 35,8% a José Junqueiro; 7% a Hélder Amaral; 3,5% à
Manuela Antunes; e 2,6% a Francisco Almeida. Calma meus caros, moderem o vosso
entusiasmo. Não há vencedores antecipados. Em relação às sondagens, não sendo
crente também não sou agnóstico. Uma sondagem é um estudo estatístico que, pela
sua própria natureza, mesmo ponderando as mais diversas variáveis, será sempre incerto.
Arrisco afirmar que, por vezes, é ténue a linha que separa algumas sondagens das
previsões do falecido polvo Paul [2008-2010; como a vida pode ser curta para um cefalópode]. Em noites eleitorais
grandes vencedores deram miseráveis derrotados e derrotados da vida emergiram estadistas.
Agora, vamos entrar na cadeira de história. Convido-vos a recuar um pouco no
tempo e a viajar umas milhas: Segundo a Eurosondagem, nas eleições
presidenciais de 2006, Mário Soares tinha larga vantagem sobre Manuel Alegre, e
o resultado…; não quero ser picuinhas mas também recordo Rui Rio versus Fernando Gomes, 2001; como não
recordar Paulo Rangel frente a Vital Moreira nas eleições Europeias; agora, vamos
mais longe, vamos saltar fronteiras e viajar até 1992, no Reino Unido, quando
os conservadores ganharam com um avanço sobre os trabalhistas – os vencedores
segundo os “estudos de opinião”. A falha essencial das sondagens reside na diferença
entre a intenção [de voto] e a acção [votar efectivamente]. A separar uma da
outra pode estar um oceano de razões.
2. Há algo intrigante
no slogan “Compromisso com Viseu”.
Alguém, provavelmente um realista, disse que um bom compromisso é aquele
em que ambas as partes ficam descontentes. Esse alguém, hipoteticamente, estaria
a falar de relações amorosas ou de uma mera transacção comercial. Acontece que,
por diversas ordens de razão, às eleições não devemos associar o mesmo tipo de
características que atribuímos às relações ou a transacções comerciais.
Relativamente ao discurso político, fartos que estamos de gato por lebre, devemos
exigir mais, devemos esmiuçar as palavras de modo a evitar quaisquer equívocos.
Sendo este compromisso o suficientemente vago para significar muito ou não
significar nada, lá fui ao dicionário. Para quem não conhece, o dicionário, é
uma obra recomendável que, sem fazer juízos de valor, salta, sem delongas,
directamente para as conclusões –nada precipitadas- então um compromisso é: “uma forma de criar um vínculo ou de assumir
uma obrigação com alguém, com um objectivo”. Volto ao mesmo ponto, enquanto
slogan político, compromisso, continua
a parecer-me vago. Porém, no último domingo, as dúvidas foram afastadas e ficou
definido o nível de comprometimento de Hélder Amaral: Caso seja eleito assume o
lugar. Assunto esclarecido. Resta esperar que José Junqueiro, sem engulhos de
Miguel Ginestal 09, assuma o mesmo tipo de compromisso com o eleitorado [socialista
e não socialista] e com a cidade. Caro José Junqueiro – agora, escrevo directamente
para o meu amigo-, o slogan “Só desisto se for eleito” apenas parece
resultar com o candidato Vieira e Viseu merece ser esclarecida antes de uma ida
às urnas. Não acha?
In: Jornal do Centro






