quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Da Tribuna [Jornal do Centro]


1.       Fernando Ruas, o estimado Presidente do Município, em vésperas de deixar o lugar, teve uma atitude sob todos os prismas democraticamente saudável, abriu as portas da autarquia e apresentou as contas à comunicação social. Num registo pouco comum entre as autarquias nacionais, segundo as contas apresentadas, o município apresenta bastante saúde financeira sendo que para o próximo executivo este tema será um mal menor. Ter saldo positivo é bom? Sim, não há outra resposta. Numa altura de aperto financeiro, até como exemplo, é um sinal positivo. Portanto, Fernando Ruas está de parabéns? Bem, esta não é uma resposta de sim ou não. A minha geração, apenas através dos avós, recorda a política dos cofres cheios de ouro e uma sardinha para quatro, de 73 e isso é bom. A gestão, pertencendo à esfera  das ciências sociais, será sempre alvo de discussão e encerra infinitas possibilidades. Será sempre boa ou má de acordo com o lado do cofre em que nos encontramos. A pergunta que como contribuintes podemos fazer é: Será o objectivo final, da gestão autárquica, gerar lucro para aplicar num banco? A essa pergunta, que vale a simpática quantia de um milhão duzentos e vinte e quatro mil novecentos e cinquenta e três euros e vinte e quatro cêntimos desaparecida no BPP, a resposta mais correcta será, um indeciso, talvez. Se aplicamos o saldo no banco como alternativa a desbaratar em rotundas, funiculares, pilaretes e asfaltar o projecto de um Centro de Artes e Espetáculos, é boa gestão; nada contra. No entanto, se temos saldo positivo e ao mesmo tempo corporações de bombeiros em dificuldades, um rio poluído, uma má rede de transportes urbanos, problemas de saneamento em algumas aldeias, miséria flagrante às portas da melhor cidade para viver e assistimos à atribuição de subsídios sem critério ou distinção aparente, é má gestão; nada a favor. Para a saúde do próximo executivo um mal menor pode vir a ser muito.


2.       Na semana anterior, num jornal nacional, os viseenses foram considerados campónios iletrados. A população, e bem, optou por barafustar ou desvalorizar. A candidatura de Almeida Henriques, ao contrário das restantes que optaram por ignorar, advertiu o director do órgão de comunicação. Seria positivo se a última frase fosse uma caricatura, mas corresponde, tal como a “súcia do piropo”, ao avanço generalizado de uma visão restritiva das liberdades. Neste ponto, assistimos a uma estranha aliança entre reaccionários e progressistas. Aqui, encontramos gente que até defende a liberdade de expressão, logo que esta adopte um conjunto de regras. Regras que em última análise a limitam, claro está. Há muita opinião e insulto escrito que devem ser rebatidas, no primeiro caso, e processados, no segundo caso. Mas, se a liberdade de expressão está em causa, os democratas, mesmo que alvo de ofensas, assumem a única posição válida, a sua defesa. Considero o artigo de mau gosto, mas, caro Almeida Henriques, não desejo viver numa cidade em que apenas possa ser reproduzido o que é “simpático” para nós. Fazer boa cara à selva que é a vida em sociedade é o primeiro passo para a vida democrática. 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Viseu 90's



Em meados da década de 90, num muro cinzento e sem graça, perto de minha casa, alguém escreveu em letras garrafais: VIOLENT FEMMES. Para um teen é reconfortante saber que na vizinhança o vandalismo é esclarecido. 

Junqueiro vintage


José Junqueiro é rei na campanha da contagem de espingardas. Avisem o candidato que 2013 não é bem 1994 e que a malta já não tem pachorra! 

Dos leitores

Tenho recebido mails (contacto à direita) de vários leitores, infelizmente o meu tempo de resposta é longo. Mas leio, tento responder a todos e tenho a oportunidade de conhecer gente simpática. Sabendo que não aprendem nada comigo, agradeço a bonomia e lamento a demora. A culpa não é vossa, não desistam, meus caros, não desistam! 

Late Night

F€rnando Rua$

                                               

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Guilherme com Olho de Gato

Concordo com quase tudo. O brinde -tipo Kinder Surpresa-, do ponto que procuro defender, está no quase e aplica-se unicamente à candidatura de Almeida Henriques. Se não tenho nada contra a adorável Ana Paula Santana, tenho tudo a favor do inequívoco Guilherme Almeida -líder de audiência incontestado deste blog, aplausos para ele. Guilherme Almeida, se a política local fosse arte, era um Van Goh em bruto, aquele que de quem nunca sabemos o que esperar, numa lista de Dalis que, como sabemos, apesar de esforçados, são uma seca monumental. Sem Fernando Ruas, Guilherme Almeida, apesar de tudo, ou melhor, por tudo o que representa é o derradeiro agregador de votos. Só um PSD verdadeiramente novo e enxuto teria a coragem de colocar Ana Paula Santana à frente de Guilherme Almeida. Mas não era a mesma coisa, pois não?  

domingo, 1 de setembro de 2013

Domingo


Dia de louvar a Criação, porque o Diabo está nos detalhes.

Fraude

Terminei a minha biografia, sob condições adversas a qualquer tipo de decência ética, sombria, cheia de rasuras e plena de lacunas. Depois da revisão chego à conclusão que se sujeito a eleições dificilmente votaria em mim. Uma fraude de mim mesmo, portanto. 

sábado, 31 de agosto de 2013

No All Music

Desconfio que o AllMusic anda a rever a Tribuna: “…flirts with his history as a way to make sense of his present, reconnecting with his strengths as a way to reorient himself, consolidating his indulgences and fancies into a record that obliterates middle-age malaise without taking a moment to pander to the past […]containing all of the hallmarks -- namely volume and crunch, but also a tantalizing sense of danger, finding seduction within the darkness -- but there is little of the desert sprawl and willful excess that have always distinguished their records. This is forceful, purposeful, fueled by dense interwoven riffs and colored with hints of piano and analog synthesizers that quite consciously evoke '70s future dystopia…” 

Sábado



"Úria que com "Barbarella e Barba Rala" escreveu a mais sublime canção de amor triste da sua geração [sem nunca ter tido um desgosto amoroso], escreve agora o melhor poema conjugal desde, talvez, William Carlos Williams, que dedicou à mulher com quem estava casado há quarenta anos "Asphodel, That Greeny Flower" texto que só não é mais conhecido em português porque Williams escolheu uma planta ornamental que em português lamentavelmente se chama "Asfódelo"."