sábado, 31 de agosto de 2013

No All Music

Desconfio que o AllMusic anda a rever a Tribuna: “…flirts with his history as a way to make sense of his present, reconnecting with his strengths as a way to reorient himself, consolidating his indulgences and fancies into a record that obliterates middle-age malaise without taking a moment to pander to the past […]containing all of the hallmarks -- namely volume and crunch, but also a tantalizing sense of danger, finding seduction within the darkness -- but there is little of the desert sprawl and willful excess that have always distinguished their records. This is forceful, purposeful, fueled by dense interwoven riffs and colored with hints of piano and analog synthesizers that quite consciously evoke '70s future dystopia…” 

Sábado



"Úria que com "Barbarella e Barba Rala" escreveu a mais sublime canção de amor triste da sua geração [sem nunca ter tido um desgosto amoroso], escreve agora o melhor poema conjugal desde, talvez, William Carlos Williams, que dedicou à mulher com quem estava casado há quarenta anos "Asphodel, That Greeny Flower" texto que só não é mais conhecido em português porque Williams escolheu uma planta ornamental que em português lamentavelmente se chama "Asfódelo"."

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Situacionista


Não se sei é do calor, mas em Agosto sinto-me particularmente situacionista.

Agosto

Agosto é um mês excessivo. Excesso de calor, excesso de francês na rua e gente na praia. Nada disto augura nada de bom. Este Agosto foi particularmente penoso. Concedo, o timbre britânico do John Oliver é porreiro. Mas dificilmente acompanha a coolness nova-iorquina do Jon Stewart. Setembro chega tarde.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A Tribuna do Leitor [ainda os Campónios Iletrados]

Um leitor atento, em resposta ao post mais quente do mês, deixou um comentário em que coloca diversas questões. Vamos a elas, porque democracia sem democratas não é bem uma democracia.

Leitor:Então colocamos a fasquia por baixo?

Tribuna: Não. Colocamos a fasquia alta, afinal de contas, temos opções. Lemos jornais e artigos escritos por gente versada para gente versada; desvalorizamos Lucianos ou, em alternativa, manifestamos o nosso desagrado. Todavia, um cérebro limitado será sempre um cérebro limitado, mas tal facto não deve limitar o seu direito à opinião. Se os Lucianos se tornarem ofensivos, damos uso aos tribunais. Lamento, mas a democracia funciona assim.

Leitor:Não há seriedade jornalística nem responsabilidades editoriais?

Tribuna: Parcialmente, a questão não se coloca. E isto é importante distinguir: Estamos perante um artigo de opinião, não um trabalho jornalístico.
Relativamente à responsabilidade editorial, esta cai por inteiro no colo do editor. Ele faz a triagem que entende, o que aceitar será o reflexo do valor que ele pretende atribuir ao seu jornal. Aqui nenhum governante se pode imiscuir, ou tentar condicionar as opções tanto do editor como do colunista, sob pena de estar a entrar no campo da limitação de liberdade de imprensa e de opinião; facto grave em qualquer democracia.

Leitor:Os jornais passam a pasquins?

Tribuna: Se entenderem ser pasquins é problema deles, estamos no campo da liberdade editorial. Cabe ao público escolher se compra ou não, se lê ou ignora. Se o leitor entender formar uma banda “pimba”, logo que não obrigue ninguém a escutar, está no campo da sua liberdade.


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Tempo de vésperas

O Rui, em tempo de vésperas, faz uma análise bastante ponderada sobre situação autárquica. Já eu, estou certo que a realidade vai confirmar que todos, mesmo todos, serão vencedores. Almeida Henriques porque ganha; Junqueiro porque consegue a melhor votação de sempre para o PS; Hélder Amaral, porque atinge a melhor votação, do CDS, nos últimos 20 anos; Manuela Antunes porque cumpre; Francisco Almeida porque o afinal de contas o PCP nunca é derrotado, nem mesmo pela realidade. Por último, uma palavra para o grande vencedor Fernando Ruas que deixa a certeza que sem ele o PSD dificilmente voltará a ter votações superiores a 60%. Parabéns, tal como no desporto escolar, são todos vencedores. 

sábado, 24 de agosto de 2013

À atenção de Almeida Henriques

                                             

Meu caro Almeida Henriques,

Tal como o amigo, gostava de saber em que medida Luciano Amaral me considera um campónio e iletrado. No meu caso, como da maioria dos viseenses, fazer prova de tal condição será complicado. Toda a vida vivi na cidade e, apesar de não ser um literato, considero ter uma biblioteca pessoal decente, contra factos! 
Continuando. Até entendo que destrate o senhor Luciano Amaral, no aconchego do seu lar, tal como eu o faço [É um prazer gozar com aquele caixa de óculos]. Agora, na qualidade de titular de dois cargos públicos e candidato ao mais alto cargo local, não posso concordar com a desvalorização que faz tanto da democracia como do papel da liberdade de expressão no seio desta. 
Como meu representante espero que, perante os Lucianos desta vida, diga sem reservas: "Discordo deste ignorante, mas defenderei até ao fim o seu direito à ignorância, como opção de vida, e a dizer todas as barbaridades que entender". 
Esta atitude, respeitará a memória de todos os grandes pensadores, mais ou menos, de direita de Tocqueville, passando por Churchill, até Sá Carneiro; confirmará a sua identidade como social-democrata [aqui não há como fugir ao Democrata]; deixará aos Estalinistas o que é próprio dos Estalinistas [limitação da liberdade de opinião]; e fará prova do que defendem os Viseenses, que a iletracia apenas existe na caneta do Sr. Luciano. 


Com todo o respeito,
Miguel Fernandes

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Podia ser 94

Quase não me reconheço. Como ignorar a semana em que visito o novo testamento, endosso algum apoio ao Ruísmo e concordo com um, dois, posts de Junqueiro [que, para o bem e para o mal, nunca apaga o que escreve]? Vou de férias, antes que acorde em 94.

Adenda: Quem é que, em 2013, ainda acredita que isto é uma boa ideia

Quero o meu Ruas de volta [Jornal do Centro]


Nas últimas semanas, cumprindo a lei eleitoral, foram apresentadas as listas concorrentes aos órgãos autárquicos locais. A única novidade é que não há novidades. Ao analisar as listas, devemos ter em atenção os dois pontos levantados, neste jornal, pelo caro Joaquim Alexandre Rodrigues: i “nos lugares elegíveis para a câmara e assembleia municipal, o aparelhismo partidário mais seguidista e acrítico, polvilhado aqui e ali com um ou outro académico para enfeitar”; ii “nas listas de freguesia, generosidade e amor à comunidade[ponto 3]. Se nenhuma alma razoável terá dúvidas relativamente à generosidade inscrita no segundo ponto, o primeiro ponto será razão mais do que suficiente para transformar até o leitor mais apático num saudosista por antecipação. Numa primeira leitura, sobre as listas, se fosse republicano [na acepção ianque da palavra] messiânico, ao mesmo tempo que moderava o meu entusiasmo relativamente ao fim do Ruísmo, resumia a minha reacção inicial a duas palavras “Choque” e “Pavor”. Se o leitor, neste momento, questiona: Foi desta que o Miguel vendeu a alma ao Ruísmo? Serei obrigado a responder com a prudência do costume: Nada de confusões meus caros, se por um lado nem todo o Ruísmo foi negativo, por outro lado, nem tudo o que é novo é bom. Vamos por partes. Porque é que o Ruísmo não foi assim tão mau? Se tivermos em conta um certo modelo de desenvolvimento, Ruas foi um autarca no mínimo competente. Entendeu o modelo de gestão dos anos 80/90, definiu a rota e seguiu o seu caminho. O problema – e aqui há sempre um problema, não é?-: Entretanto virámos de século, entrámos na segunda década do milénio, sem assistirmos a grandes alterações de fundo em termos de políticas públicas. Entrámos com vontade no pós anos 90, liderados por um autarca que não envergonharia ninguém, no entanto, ano após ano fomos sendo ultrapassados tanto pelo tempo como por executivos autárquicos cada vez menos dinâmicos [o adjectivo, aqui, funciona como eufemismo], tudo isto sem queixumes por parte de uma oposição anónima. Porque é que nem tudo que luz é ouro? Porque fruto das circunstâncias temos a oportunidade, mas não a vontade, de mudança. Esta “não-vontade” de mudança, que em parte será explicada pelo mero receio do desconhecido, que habita em cada um de nós, também é responsável pelo mofo que se apoderou dos partidos. Internamente, a fauna partidária, sobrevive graças a uma vigorosa dieta assente no tal “seguidismo acrítico aparelhista”, esta dieta além de garantir imutabilidade das coisas, evitando sobressaltos, elimina a possibilidade de qualquer tipo de pensamento crítico ou alternativa interna. A presença do académico ocasional ou de um ou outro independente é justificada na exacta medida em que permite garantir a manutenção do status quo transmitindo, ao mesmo tempo, a falsa ideia de mudança e abertura ao exterior. Perdão cavalheiros, atendendo às vossas listas, se é para manter tudo na mesma prefiro o original. Quero o meu Ruas de volta.

In: Jornal do Centro