quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O desinteresse como defesa... (Jornal do Centro)


1. O povo é sereno, mas não é estúpido: Na edição anterior, este Jornal do Centro, perguntava: “O que sabe acerca das próximas eleições autárquicas?”. O povo, que num espaço de meia-dúzia de gerações passou de um ódio figadal à fidalguia para um ódio racional ao homem-feito-político, não se coibiu de responder. As respostas variavam apenas no grau de desinformação. O Povo sabia, e bem, que o PSD concorre e, por motivos de confiança, espera que a laranja saia vitoriosa; outro elemento do dito Povo, fiel à providencial desconfiança, não sabia quem serão os contendores mostrando ajuizado descontentamento para com a classe política; houve quem garantisse não ter opinião formada sobre os candidatos a deputados (!?); por último alguém garantia que Ruas irá ganhar. Esta é a única certeza, Ruas apesar de não se candidatar sairá vitorioso e sem derrotas nas urnas. Após uma primeira leitura, para uma cabeça revolucionária, a opção evidente seria encostar os inquiridos à parede e chamar o esquadrão de fuzilamento, mas essa seria a opção mais fácil e a menos racional. Reparem que o erro não é dos entrevistados, a falha no contrato é dos políticos locais. Sim, de toda a classe, poder e oposição. O Povo, gente comum com quem nos cruzamos todos os dias, rege a sua vida de acordo com o conservadorismo prudente de quem tem de lutar para não afundar. Nas downstairs das classes sociais, o quadro não é bonito –aqui não há Matisse que sobreviva, só dá Paula Rego-, não há tempo para grandes reflecções filosóficas, éticas ou morais. A dura realidade é que apenas existe uma minoria absoluta que segue à lupa os acontecimentos da cidade e uma maioria absoluta que simplesmente espera viver o dia-a-dia sem ser incomodada. O povo não se alimenta de constituição ou de ideologia, isso percebe-se das respostas e no trato diário. Para entendermos melhor como sobrevive o fenómeno do Ruísmo uma leitura a “Unpopular Mandate” de Ezra Klein, em The New Yorker, é recomendada. O texto, a certo ponto, reflecte sobre lealdade de grupo. A lógica é simples: determinada pessoa identifica-se com um grupo de modo a simplificar as suas escolhas, a partir desse momento é estabelecida uma relação, quase inquebrável, de lealdade. O eleitor confia que esse grupo tomará sempre a decisão que defende melhor o seu carácter ou interesse. Isto acontece por não termos tempo para estudar tudo o que é importante, com este mecanismo evitamos perder tempo a tecer grandes juízos. A relação é básica: confiamos, delegamos poder, em troca ganhamos tempo para viver. O problema é que os partidos não são actores desinteressados, não nos representam por bondade. Com a actual crise houve uma erosão neste sentimento de lealdade, o eleitor está de pé atrás. Enquanto o CDS e o candidato Junqueiro não perceberem isto, e criarem instrumentos que permitam recuperar alguma da confiança do eleitorado, estão apenas a garantir que perdem as eleições. O PSD tem duas opções: ou opta por uma candidatura Ruas “vintage” – Américo Nunes- e não muda nada ou seguindo o exemplo socialista abre a porta ao emissário de Lisboa – Almeida Henriques-? De qualquer modo, o eleitorado já aprendeu o suficiente sobre os mecanismos internos dos partidos para não ter ilusões sobre a realidade que se esconde por detrás da retórica das grandes escolhas, grandes opções e grandes lideranças. É a intriga política que afasta o povo das urnas e da informação, não o contrário. Contra a teia de interesses o desinteresse é uma defesa.

 2. Viseu online: A blogosfera local está forte, é lida, e recomenda-se. Escrevo após ter ganho, através do blog “A Tribuna de Viseu” a eleição para blogs do ano na categoria de Blog Revelação, e o "VSB" de Fernando Figueiredo saiu vitorioso na categoria de Blog Regional. A restante comunidade é forte, “Olho de Gato”, “Fotos do AJ”, tendo em 2012 aparecido “A Tribuna de Viseu”, “Indo Eu, indo Eu…” e “Forma Farmacêutica Oral”, espaços que acrescentam pluralidade e diversidade ao meio. Ainda faz falta um blog bem escrito por uma senhora e um blog superiormente escrito por um declarado situacionista. Devemos ter em consideração que a importância de um blog não se afirma pelo número de visitas, mas pela qualidade dos textos e artigos desse espaço de opinião. Só com uma sociedade civil forte e interessada teremos uma cidade forte e um poder empenhado
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3. Viver Viseu: Viseu, segundo a DECO, é a melhor cidade para viver; tem os melhores blogs para ler, segundo o Aventar. Chegará o dia em que terá os melhores candidatos para eleger, segundo os eleitores.

Apesar do bigode


A Tribuna presta homenagem a todos os homens que, apesar do bigode, conseguem condicionar a vida interna dos partidos. 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Pré-Candidatura?




Memórias de Ruas


"Memórias de Adriano tem a forma de uma longa carta dirigida pelo velho imperador, já minado pela doença, ao jovem Marco Aurélio, que deve suceder-lhe no trono de Roma (séc. II .d.C)."

Munido de pena e tinteiro, Fernando Ruas, aventurando-se no desconhecido mundo da literathurra, já começou a escrever uma longa carta dirigida a Américo Nunes. Resta saber se a mensagem chega ao destinatário. 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Blog revelação 2012



Eleger o mosh pit, de um concerto indie, em que se cantam prólogos de Ésquilo à cidade, blog revelação 2012 é de valerosos leitores. Obrigado a todos os e-leitores e um agradecimento especial a quem lançou o fuzz.

Campanha de um homem só

Fernando, resta saber que parte do PS local apoia Junqueiro. Provavelmente será o PS de Filipe Nunes, que parece ter ganho a concelhia com efeitos retroactivos. Em caso de queda de Seguro, Junqueiro arrisca-se a fazer a campanha de um homem só, sem apoio nacional ou local.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Pssssst



Caros amigos, quanto a isto não é preciso dizer mais nada. Se encontrarem por lá o Viseu Senhora da Beira não se façam rogados! 

A tribuna com bolinha vermelha

Poderemos ter um post que parte da justa posição das palavras e termina em 15 minutos de energia postulada por Nick Cave? Sim, foi isso que o Olho de Gato conseguiu. No fim saiu-me um: PORRA, isto é de génio!