1. O povo é sereno, mas não é estúpido: Na edição anterior, este
Jornal do Centro, perguntava: “O que sabe
acerca das próximas eleições autárquicas?”. O povo, que num espaço de
meia-dúzia de gerações passou de um ódio figadal à fidalguia para um ódio
racional ao homem-feito-político, não se coibiu de responder. As respostas
variavam apenas no grau de desinformação. O Povo sabia, e bem, que o PSD
concorre e, por motivos de confiança, espera que a laranja saia vitoriosa; outro
elemento do dito Povo, fiel à providencial desconfiança, não sabia quem serão
os contendores mostrando ajuizado descontentamento para com a classe política;
houve quem garantisse não ter opinião formada sobre os candidatos a deputados
(!?); por último alguém garantia que Ruas irá ganhar. Esta é a única certeza,
Ruas apesar de não se candidatar sairá vitorioso e sem derrotas nas urnas. Após
uma primeira leitura, para uma cabeça revolucionária, a opção evidente seria
encostar os inquiridos à parede e chamar o esquadrão de fuzilamento, mas essa
seria a opção mais fácil e a menos racional. Reparem que o erro não é dos
entrevistados, a falha no contrato é dos políticos locais. Sim, de toda a
classe, poder e oposição. O Povo, gente comum com quem nos cruzamos todos os
dias, rege a sua vida de acordo com o conservadorismo prudente de quem tem de
lutar para não afundar. Nas downstairs das classes sociais, o quadro não é
bonito –aqui não há Matisse que sobreviva, só dá Paula Rego-, não há tempo para
grandes reflecções filosóficas, éticas ou morais. A dura realidade é que apenas
existe uma minoria absoluta que segue à lupa os acontecimentos da cidade e uma
maioria absoluta que simplesmente espera viver o dia-a-dia sem ser incomodada. O
povo não se alimenta de constituição ou de ideologia, isso percebe-se das
respostas e no trato diário. Para entendermos melhor como sobrevive o fenómeno
do Ruísmo uma leitura a “Unpopular
Mandate” de Ezra Klein, em The New
Yorker, é recomendada. O texto, a certo ponto, reflecte sobre lealdade de
grupo. A lógica é simples: determinada pessoa identifica-se com um grupo de
modo a simplificar as suas escolhas, a partir desse momento é estabelecida uma
relação, quase inquebrável, de lealdade. O eleitor confia que esse grupo tomará
sempre a decisão que defende melhor o seu carácter ou interesse. Isto acontece
por não termos tempo para estudar tudo o que é importante, com este mecanismo
evitamos perder tempo a tecer grandes juízos. A relação é básica: confiamos,
delegamos poder, em troca ganhamos tempo para viver. O problema é que os
partidos não são actores desinteressados, não nos representam por bondade. Com
a actual crise houve uma erosão neste sentimento de lealdade, o eleitor está de
pé atrás. Enquanto o CDS e o candidato Junqueiro não perceberem isto, e criarem
instrumentos que permitam recuperar alguma da confiança do eleitorado, estão apenas
a garantir que perdem as eleições. O PSD tem duas opções: ou opta por uma
candidatura Ruas “vintage” – Américo Nunes- e não muda nada ou seguindo o
exemplo socialista abre a porta ao emissário de Lisboa – Almeida Henriques-? De
qualquer modo, o eleitorado já aprendeu o suficiente sobre os mecanismos
internos dos partidos para não ter ilusões sobre a realidade que se esconde por
detrás da retórica das grandes escolhas, grandes opções e grandes lideranças. É
a intriga política que afasta o povo das urnas e da informação, não o
contrário. Contra a teia de interesses o desinteresse é uma defesa.
2. Viseu online: A
blogosfera local está forte, é lida, e recomenda-se. Escrevo após ter ganho,
através do blog “A Tribuna de Viseu” a eleição para blogs do ano na categoria
de Blog Revelação, e o "VSB" de Fernando Figueiredo saiu vitorioso na categoria
de Blog Regional. A restante comunidade é forte, “Olho de Gato”, “Fotos do AJ”,
tendo em 2012 aparecido “A Tribuna de Viseu”, “Indo Eu, indo Eu…” e “Forma Farmacêutica Oral”, espaços que acrescentam pluralidade e diversidade ao meio. Ainda faz
falta um blog bem escrito por uma senhora e um blog superiormente escrito por
um declarado situacionista. Devemos ter em consideração que a importância de um
blog não se afirma pelo número de visitas, mas pela qualidade dos textos e artigos
desse espaço de opinião. Só com uma sociedade civil forte e interessada teremos
uma cidade forte e um poder empenhado
.
3. Viver Viseu: Viseu, segundo a DECO, é a melhor cidade para
viver; tem os melhores blogs para ler, segundo o Aventar. Chegará o dia em que
terá os melhores candidatos para eleger, segundo os eleitores.
In: Jornal do Centro






