terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Almeida Moreira


Amanhã o Museu Almeida Moreira regressa ao mundo dos vivos. Depois de meses de incerteza, é bom que Ana Paula Santana nos apresente um espólio digno de Cecilia Giménez. 

Ter mais visitas diárias que o funicular

Inaugurada no passado dia 06 de janeiro de 2012 e alvo de fortes criticas a Tribuna de Viseu tem-se verificado um sucesso. Após a inauguração foi disponibilizada de imediato à população em geral, tendo até finais de Outubro de 2012 já sido visualizada por mais de 70.000 utentes.
«A Tribuna de Viseu. Blogue não poluente ao seu dispor com acesso gratuito», relembra a autarquia viseense.

(Não me responsabilizo por eventuais danos neurológicos que a leitura deste texto possa causar. Foi descaradamente copiado, e posteriormente adaptado, da Dão tv) 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Orçamento

A pergunta era, aparentemente, simples: "- Senhores, estão a favor ou contra este orçamento?". A resposta teve a incerteza caraterística do aluno mal preparado: "- Nim!". Estar casado com o orçamento e fazer figura de solteirão, raramente dá bom resultado. 

sábado, 8 de dezembro de 2012

Melómano


Se 2012 está por um fio, o País, há quem diga, está para acabar. Já a música que este ano nos deu dificilmente morrerá sem dar luta, pelo menos ao ouvido. Entre a guitarra de James Hince e a voz da menina Alisson Mosshart, renovou-se o tratado do norte-atlântico. O barulho, em descargas industriais, voltou a fazer sentido, a canalha nova-iorquina respira saúde. Sem dar acessos a crises, Úria garante que o mundo foi vencido. Leonard Cohen apresenta velhas ideias, não havia como falhar. O Bernardo foi a África, para nos lembrar que, afinal de contas, ainda (?) somos portugueses. Jack White, a minha escolha do ano, fez de Blunderbuss uma ode ao amor-ódio    

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Incubar Viseu (Jornal do Centro)


 
1. Incubadora de Empresas: No decurso natural da história dos povos, diversos foram os líderes que ao longo da sua vida mudaram de opinião, ou de partido, sem que o caos viesse ao mundo. Winston Churchill será o exemplo mais flagrante. Surpreendentemente, numa terra em que o tempo demora a passar, o mesmo aconteceu com Fernando Ruas. No espaço de duas mudanças de calendário, o ilustre autarca alterou a sua opinião relativamente às incubadoras de empresas. O único lamento é que apenas o tenha feito com uma década de atraso em relação ao boom destas iniciativas na lusa pátria. Vamos a factos, a 28 de Agosto de 2010, em plena Assembleia Municipal, Fernando Ruas, dominando como poucos a arte da “fina” ironia, afirmava: “…uma Incubadora no Centro HistóricoEu a princípio até pensei andamos com algum problema com a história das funerárias, já lá há no Centro Histórico, mas não é a mesma coisa..." Chegados a Novembro do corrente ano, um Fernando Ruas visionário lança o projecto de uma incubadora de empresas, na antiga sede dos bombeiros voluntários de Viseu em pleno centro histórico. Relativamente ao espaço escolhido, ultrapassada a ideia de por lá instalar a loja do cidadão e mais tarde alguns serviços municipais, logo que se preserve o imóvel de alto valor histórico e patrimonial, a escolha parece acertada. De forma a minimizar os riscos, ao nível da gestão do conceito, será conveniente realizar um estudo prévio que contextualize o sucesso obtido por outras incubadoras de âmbito municipal que se desenvolveram nos últimos anos. De modo a que este projecto não esteja condenado à nascença, também será sensato, que a escolha para ocupação do espaço recaia sobre empresas tecnologicamente avançadas, criativas ou de elevado valor acrescentado. Ao analisar este tipo de apoio ao desenvolvimento económico seremos induzidos a concluir que, grosso modo, apenas as incubadoras umbilicalmente ligadas a estabelecimentos de ensino superior, a um tecido empresarial inovador ou a uma população dinâmica e com massa crítica disponível, onde abundem especialistas e/ou criativos capazes de dinamizar constantemente o espaço, atribuindo uma vida autónoma (longe da mão protectora do Estado) à incubadora, parecem atingir relativo sucesso. Neste momento, ainda sem dados concretos sobre os moldes em que este conceito vai ser desenvolvido, será sempre injusto questionar a bondade da iniciativa. Resta esperar que a autarquia tenha a capacidade de estudar e aprender com os erros de terceiros. Numa cidade sem tradição industrial, não nos podemos dar ao luxo de perder duas vezes o mesmo comboio.  
 
2. Incubadora de Ideias: O ano de 2013 do calendário gregoriano anuncia o fim de uma era política. O modelo de desenvolvimento proposto pelo Engº Carrilho, em grande parte executado por Fernando Ruas, já não garante resposta às necessidades desta cidade, neste século. No entanto, apesar do “modelo Carrilho” estar esgotado, o Ruísmo dá sinais de resistir ao seu fim anunciado e as máquinas partidárias teimam em adiar o despontar de uma nova geração de ideias e líderes. Entretidos em combates internos, tanto o PS como o PSD, parecem pouco preocupados em debater a cidade. Os partidos políticos ou tão pouco a sociedade civil, não parecem encontrar soluções para este impasse. Afigura-se forte, a probabilidade de ser perdida uma oportunidade de agentes políticos e sociedade civil sentarem à mesma mesa os seus elementos mais válidos, para em conjunto, livres de preconceitos ideológicos, definirem um projecto de cidade. A política local carece de uma linha orientadora de ideias e objectivos que os cidadãos reconheçam como desígnios a serem atingidos. Em época de troika, a lógica, até aqui reinante, de projectos avulsos, obras fátuas sem qualquer visão estratégica ou gigantismos de personalidade terá de ser definitivamente ultrapassada.
 
3. Incubadora de Vices: No culminar de uma longa carreira como vice-presidente, mantendo a mesma equipa, não se vislumbrando um inequívoco pensamento de fundo sobre a cidade, Américo estará à altura dos tempos? Temo que a resposta seja negativa.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Tradição



"...Que o colectivo que há em cada um de nós, 
não tem PORRA apenas uma voz...
...Por nascer das veias da comunidade

domingo, 2 de dezembro de 2012

Na cidade deserta



"...Nós costumávamos esperar
Nós costumávamos desperdiçar horas apenas andando por aí
Nós costumávamos esperar
Todas essas vidas desperdiçadas na cidade deserta..."

sábado, 1 de dezembro de 2012

Numa cidade moderna

                                                           Micro-horta Urbana


"...E eu recompunha, por anatomia,
Um novo corpo orgânico, ao bocados.
Achava os tons e as formas. Descobria
Uma cabeça numa melancia,
E nuns repolhos seios injetados.

As azeitonas, que nos dão o azeite,
Negras e unidas, entre verdes folhos,
São tranças dum cabelo que se ajeite;
E os nabos - ossos nus, da cor do leite,
E os cachos de uvas - os rosários de olhos.

Há colos, ombros, bocas, um semblante
Nas posições de certos frutos. E entre
As hortaliças, túmido, fragrante,
Como alguém que tudo aquilo jante,
Surge um melão, que lembrou um ventre.

E, como um feto, enfim, que se dilate,
Vi nos legumes carnes tentadoras,
Sangue na ginja vívida, escarlate,
Bons corações pulsando no tomate
E dedos hirtos, rubros, nas cenouras.

O Sol dourava o céu. E a regateira,
Como vendera a sua fresca alface
E dera o ramo de hortelã que cheira,
Voltando-se, gritou-me, prazenteira:
"Não passa mais ninguém!... Se me ajudasse?!..."