sábado, 10 de novembro de 2012

Zé! ou a importância do Cadillac



O Zé! quando chegou não tinha nada, mas  acha que arraiazinha, mesmo a mais miúda, também merece um colar de pérolas. Volta e meia, o Zé!,  andava na autovia com uma matulona (de vestido encarnado de lei) de quem por acaso até gostava, quando de repente ela tem  uma crise de ciumeira, o Zé! abre a porta e diz: ''Filha, vai lá à tua vida''. O Zé! conquistou o carro, só falta o respeito e o lugar no município. Para se entreter, o Zé!, passeia no meio do povo e acena às multidões, faz a lei e bem, pois ninguém  o critica. 

Porque das nossas palavras não há regresso


Escrever, apagar, re-escrever; escrever, apagar, re-escrever; escrever apagar, re-escrever

Cover II


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Bairro Municipal, Carlos Marta e Literatura (J. Centro)


1. Identidade Local: De acordo com Kevin Linch (1960); em : A Imagem da Cidade, Edições 70: “A cada instante existe mais do que a vista alcança, mais do que o ouvido pode ouvir, uma composição ou um cenário à espera de ser analisado. Nada se conhece em relação a si próprio, mas em relação ao seu meio ambiente à cadeia precedente de acontecimentos, à recordação de experiencias passadas”. Esta reflexão, fará todo o sentido, para uma mente civilizada que, tal como Fernando Ruas, tenha sido agraciada com medalha de ouro da Société Académique des Arts, Sciences et Lettres, mas infelizmente não faz escola entre os técnicos da nossa autarquia. Esta semana, assisti ao documentário ”O Bairro” da autoria de Raquel de Castro. Este documentário é um pequeno “fresco”, muito em breve histórico, da vida no Bairro Municipal. Bairro que será terraplanado em nome de uma modernidade uniformizadora da vida e paisagem urbana. Certamente, sem conhecimento do nosso autarca, foi elaborado um plano de regeneração para este espaço no centro da cidade, prevendo-se a construção de um moderno edifício de habitação social composto por 60 fogos, obra estimada nuns simpáticos 2,3 milhões de euros. O que os técnicos responsáveis por este projecto, ainda formatados na lógica de demolição-construção em voga nos anos 80 e 90, não perceberam foi que no meio de tantos milhões perde-se mais um local característico da cidade, perde-se uma reminiscência de ruralidade na selva de betão. Tudo isto numa época, e perante uma geração, que valoriza a reabilitação e a preservação da nossa memória histórica. Mas o que é o bairro municipal? Construído em 1948, junto ao estabelecimento prisional de Viseu, o Bairro Municipal, será o mais antigo dos bairros sociais da cidade. Constituído por 120 habitações unifamiliares, tendo os seus moradores, famílias de escassos rendimentos económicos, migrado do centro histórico e aldeias próximas. Na actualidade, o bairro alberga uma população envelhecida com raízes rurais. As moradias, em granito, não dispõem hoje das mais básicas condições de habitabilidade, no entanto, este bairro possui uma qualidade visual rara, nas urbes modernas, a clareza ou “legibilidade” da sua envolvente, todo ele é uma estrutura planeada, coerente e única na paisagem urbana. A sua reabilitação, respeitando as características diferenciadoras, seria a melhor opção sendo vantajosa em termos económicos, histórico-arquitectónicos e turísticos. Se a identidade da cidade é também o fruto da percepção dos seus habitantes e visitantes, destruir este bairro é destruir parte da identidade desta cidade. Neste caso, a autarquia, terá de saber equilibrar a tensão contemporânea entre o local e o global, dando primazia ao local, não como reacção à globalização, que é bem-vinda, mas como afirmação da nossa singularidade.  

2. Marta e o exemplo Menezes: De Gaia, Luís Filipe Menezes decidiu marchar sobre o Porto. Se por um lado o CDS-PP inviabilizou qualquer coligação encabeçada por Menezes, por outro lado a concelhia do PSD, através de voto secreto, aclamou por unanimidade o autarca de Gaia. Para Viseu, ou melhor para Tondela, fica a porta entreaberta. Na matemática interna, se Marta quiser terá os mesmos 100% de Menezes? Tendo em conta os casos que envolvem os proto-candidatos-laranja locais, é altamente provável que sim. 


3. Literatura: 17 de Novembro de 1925, um crime abalou a cidade. É sobre este episódio dramático que nos fala Paulo Bruno Alves em: O Crime da Poça das Feiticeiras. Uma leitura recomendada para os dias de chuva que se avizinham. 



quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Aquilino Ribeiro



Poderá um beirão desconhecer Aquilino? Não. Um beirão desconhecedor de Aquilino é um não-beirão a roçar o castelhano; é um filho da terra que não conhece as suas origens; é um sacerdote que nunca leu o antigo testamento; é um terratenente que nunca foi ao campo; é um ser que conhece a serra mas sem sair do Land Rover; é um sujeito que fala ao povo sem entender peva sobre rusticidade; é um leitor que fica barrado na densidade das palavras, é um revolucionário que nunca começou uma revolução; é um poeta sem versos; é um caciquista sem militância partidária; é um historiador que não valoriza a identidade; é um parolo do campo com a mania que é um parolo da cidade; é um velho que aos trinta já era jarreta. 

PS: É já na Sexta.

Original TV

A Original TV será bem-vinda se vier agitar as águas. Para pastar na planície o que há chega.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

sábado, 3 de novembro de 2012