1.
Espírito conservador: O que falta à
direita local? Existe, em Viseu, uma direita culta, que não é autoritária na
acção, reaccionária no pensamento ou saudosista da velha senhora. Uma direita
que dispensa o pessimismo, os suspensórios ou as botas de combate. Uma direita
que faz a simbiose entre o tradicional espírito conservador e moderno apreço
pelos movimentos culturais vanguardistas. Uma direita que não é contra a
mudança, apenas cautelosa quanto ao futuro e defensora da tradição. Uma direita
que leu Montaigne, Burke, Hobbes, Oakshott, logo inábil para o soundbyte. Que
advoga um conservadorismo prudente, que sabe que o que se perde hoje
dificilmente será reconquistado amanhã. Não foi assim com o comboio? Numa época
em que o betão urbano deformou a paisagem; o centro histórico é abandonado e
descaracterizado em favor de uma modernidade, muito kitsch, acessível entre
neons do centro comercial; e do pavor à portugalidade, falta que esta direita
se manifeste e mostre o que pensa sobre a cidade. A exemplo da
esquerda-socialista, com o blogue Novos Horizontes, a direita cultural deve
afirmar-se e produzir opinião sem complexos ou meias palavras. Será Hélder
Amaral capaz de realizar este aggiornamento da direita culta, jovem e
conservadora com a direita política que o CDS-PP representa? Conquistar este
espaço é conquistar o futuro do conservadorismo local.
2.
Cidade
Museu: Na última edição deste jornal, em entrevista, a Secretária de Estado
do Turismo afirmou: “ Não é preciso ter praia para ter turismo”. Retive esta
frase não por ser uma revelação, mas por ser uma constatação óbvia, no entanto
pouco ou mal entendida por quem assume responsabilidades nesta área. A ideia de
cidade museu e cidade jardim é positiva, mas claramente insuficiente e algo
redutora. Com os lamentáveis os atrasos de sempre, o museu Almeida Moreira adia
a sua abertura, o Museu do Quartzo vive numa fase embrionária e com horários
desajustados à procura. Por fim vemos o projecto do Centro de Artes prestes a
ser asfaltado, logo a programação disponível na cidade é esgotada numa tarde. O
que mais temos para oferecer? História, património, cultura, lazer e
centralidade geográfica. Em que temos de apostar? Na diversificação, na qualidade
da oferta e no reforço da exposição mediática ao público-alvo, aproveitando a
parca oferta: os interessantes Jardins Efémeros, feiras gastronómicas, a Feira
de São Mateus, roteiros culturais (ainda desorganizados), turismo religioso (sem
coordenação), congressos com promoção, etc... Como concretizar? Sendo um sector
estratégico não pode mais a CMV andar a reboque do excelente trabalho da ARPT
do Centro, porque as competências são de âmbitos distintos, embora
complementares. O Vereador responsável deve pensar o turismo a médio prazo
para, de forma consistente, criar riqueza e dinamizar uma rede entre todos os
agentes (culturais, turísticos, associativos, desportivos), desenvolver um
referencial de informação (Time Out Viseu?) para divulgar e comunicar com mais
dinâmica a oferta no contexto nacional. Viseu já não sonha com um futuro em
betão armado!
3.
Verão:
Chega o Verão, os emigrantes enchem as ruas, o corpo pede descanso…altura para
pôr a leitura em dia, fica a dica: "O código dos Wooster" e
"Época de acasalamento". Estes dois livros, da autoria de P.G.
Woodhouse, contam as aventuras de Bertie Wooster, um cavalheiro de classe alta
com bom coração, propenso para arranjar problemas, sempre acompanhado do seu
mordomo Jeeves um "cavalheiro de cavalheiros", educado e inteligente.
As histórias ocorrem num mundo louco de "tias de nariz empinado",
"primos estouvados", rapazes sem maneiras e raparigas inteligentes.
Em época de crise, o humor "culto" é uma benção.