quinta-feira, 12 de abril de 2012

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Viseu 2013, entre a sachola e a modernidade

Na última noite, após assistir a um concerto dos CSS, acedo à rede para me cruzar com esta bucólica prosa. De repente, pareceu-me estar a assistir a um embate frontal entre o comboio da modernidade brasileira e o comboio da ruralidade lusa. Neste acidente, Lúcia Silva desempenhava a função de maquinista e figura cimeira do "movimento dos sem-terra das beiras". Como homenagem, ergo a minha taça à ingenuidade desconcertante da autora. Festejo a sua ingenuidade porque é coisa rara em política. Lúcia Silva não percebeu que em apenas dois casos essa proposta seria válida, como modelo de desenvolvimento local, a saber: Primeiro, caso estivéssemos na cidade rural de 1940/1950. O problema é que estamos em 2012, passaram seis décadas, ou seja, o espaço temporal de uma vida. Segundo, caso Viseu fosse uma vila ou cidade pequena. Tendo em conta os quase cem mil habitantes, Viseu é por todas as perspectivas uma cidade média e tercearizada. 
No entanto a realidade é bem mais cruel. Por detrás deste texto, que faz tábua rasa das imensas potencialidades e dinâmicas locais, estão vários problemas mais graves e com os quais ninguém se parece preocupar: O grau zero da nossa vida intelectual; a inexistência de debate que eleve a capacidade argumentativa; o medo, tanto por parte de adversários como dos média, em polemizar; e a fraca capacidade analítica e crítica que reina a nível local. Só assim, um texto de tão fraca qualidade argumentativa passa entre os pingos de chuva sem se molhar, sem qualquer tipo de avaliação. A nossa curta elite vive dias felizes, centrada no próprio umbigo, com empregos e ordenados garantidos, não sente que vale a pena mexer as águas, limitam-se a contemplar o vazio. Este "analfabetismo" intelectual deriva de um provincianismo visível no discurso dos caciques, na ignorância latente, na simplificação própria de cérebros "pouco trabalhados", nas habilidades, nos que vêem a política como uma partida de futebol na qual dão "abadas" aos adversários, nas fugas em frente, nas fugas para a doce Europa. Mais um brinde, desta vez ao povo que é governado por estas figuras. Os políticos que Eça satirizava tinham nível cultural, dominavam com mestria economia, filosofia, política, história, literatura, geografia. Na actualidade o nivelamento é feito por baixo, os grupos que dominam os partidos vetam a ascensão pela meritocracia, sobrevive o medo de que o mérito seja a gota de água que faz transbordar o copo. Ou isto muda, ou a politica local será por largos anos o reino da mediocridade e a única alternativa de emprego válida para os que não conseguem acrescentar valor à iniciativa privada.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Fernando Ruas em entrevista



Fernando Ruas, em entrevista, surge calmo e desprendido relativamente a futuros cargos a exercer. Aproveita a ocasião para fazer a defesa das virtudes do poder local. Não sendo uma entrevista dura, Ruas não deixa seus créditos por mãos alheias.

Wishful Thinking




"The colder the nigth gets 
the further she strains ,
and he doesn't like it
being this way

And she tried so hard
to steer away 
from the meeting place
But her hearth had lead her there"

Memória

De pequenos fragmentos se constrói a identidade de um lugar, de uma cidade, de um povo.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ruas desertas

Não é necessário ler isto, basta um passeio pelas ruas de Viseu e somos confrontados com a dura realidade. A cada três ou quatro portas, mais um estabelecimento comercial fechado. Não ignorando a crise a que governos de cariz despesista, e com sérias dificuldades em admitir a realidade, bem como crédito pessoal facilitado, nos conduziram. Não estará na altura do poder local assumir este problema como prioritário? Na Praça da República não compreendem a importância de desenvolver um plano integrado que dinamize o comércio local? Não entendem a premência em facilitar a aproximação entre produtores, distribuidores e consumidores locais, no centro histórico bem como noutros espaços públicos? Não me tomem como perigoso radical de esquerda, longe disso. Todavia, qualquer conservador entenderá que a massificação em nome de economias de escala apenas terá como resultado a destruição de antigas relações comerciais locais. Com elas perdemos igualmente o nosso elemento diferenciador. Do centro histórico, em breve, apenas teremos ruínas de um passado não muito distante. No fim, em nome de uma falsa modernidade, o que restará? Centros comerciais cheios de gente pomposa mas irremediavelmente desenraizada, bem como uma cidade e um povo descaracterizados e sem identidade.  

Comunicação

Ao comprar um jornal ou uma revista, o que espero receber em troca? Espero ter acesso a nova informação. Como avalio o que me é apresentado? Caso o trabalho seja bom, após fazer o cruzamento de toda a informação que recebi percebo que aprendi algo sobre o ambiente que me rodeia. Infelizmente, ao ler a imprensa local isso não acontece. Sinto a falta de um fio condutor, ou uma visão transversal sobre a nossa cidade e sociedade. As conquistas e derrotas não surgem por acaso, são fruto de muito trabalho ou relativa imprudência. A imprensa local, para mais e melhor informar, precisa de uma reciclagem urgente.  

domingo, 8 de abril de 2012

Recorrente

Premonição confirmada. I told you so!

Herdeiros do Ruísmo


João Figueiredo (1918-1999), Presidente do Brasil (1979-1985), sempre que se deparava com um problema complexo, tinha por hábito dar longos passeios a cavalo. Sensato, o povo brasileiro rapidamente concluiu que duas cabeças pensam melhor do que uma. De modo a facilitar a escolha, em 2013, proponho que os candidatos ao lugar de Ruas apresentem os seus "cavalos pessoais". Do ponto de vista do eleitor, será positivo conhecer os cérebros dos candidatos a herdeiros do Ruísmo.