quinta-feira, 28 de junho de 2018

Em So(m)brado


Na última noite, durante a apresentação da digníssima Feira de S. Mateus, o Dr. Sobrado toma o púlpito, faz os agradecimentos devidos e, ainda no pré-clímax da sua pregação (sabemos que um vereador não é de ferro, portanto devemos conceder o direito ao clímax ocasional), afirma que está formar "grandes quadros em Viseu". Naquele momento, ficámos a saber que, graças à sua intervenção, num futuro não muito distante, Viseu terá gente competente em áreas como a comunicação, a gestão, a programação, logística, entre outras. Assim, um espectador mais desatento poderia assumir que, durante centenas de anos, o povo de Viseu atravessou um metafórico deserto de competências e quadros, agora, guiado pelo verdadeiro Messias, este nobre povo atingiu a terra prometida. Sobrado acrescenta que não faltará muito para que ele não seja necessário entre nós, um apóstolo não existe sem missão e a do Dr. Sobrado está quase concluída. O público, filho da carne, jubiloso por finalmente estar perante um filho da promessa, aplaude. Na minha aldeia, composta por gente séria, trabalhadora, competente, mas pouco ortodoxa nos modos, estava apresentada a dica para pegar o santinho em ombros, não esquecendo o andor, e devolver à procedência.

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