segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Começo o texto pelo insulto



Como sabe o insulto é mais fácil e eu sou preguiçoso. Portanto, aqui vai. A leitora é uma empertigada, já o leitor é no mínimo um mentiroso.

Caro leitor, seu filho de um grande Charlie, agora que despertei a sua atenção e provavelmente o seu processo judicial, vou explicar.

A história é relativamente simples. Vamos passo a passo.

Os vereadores do PS desempenharam, de forma positiva, o seu trabalho e questionaram a actuação da Habisolvis no Bairro Municipal. Tudo muito bem.

Almeida Henriques alegou que tal caso era um “não caso” (1). O PS, então, apresentou documentos em que fazia prova que o “não caso” afinal era caso. Parece confuso, mas não é.

É então que é usada a frase da discórdia: “Os vereadores do Partido Socialista vêm repudiar a mentira com que o Sr. Presidente de Câmara de Viseu (…)”.

Neste momento o Presidente vem alertar: “(…) acusar (o próprio) de mentiroso, ou de desonesto, ou de menos transparente vão (a oposição) ter de explicar isto ao Ministério Público(…)” (2).

Vou saltar as questões de semântica e português, que nada acrescentam.

O facto de termos um presidente a levar uma declaração política para o campo judicial, por se sentir ofendido, pouco tempo depois de se ter referido a uma Secretária de Estado da forma como Maomé não fala do toucinho (3) não deixa de ter a sua dose de ironia, mas também surge como irrelevante para o ponto que procuro.

O guião desta prosa é mais simples.

Assumindo que estavam presentes diversos meios de comunicação social e tendo todos eles acesso aos documentos que a vereação do PS disponibilizou.

Porque é que ninguém fez as perguntas que se impunham?

Tais como:

– “Perante a informação que temos, as declarações do Sr. Presidente, foram fruto de desconhecimento ou falha do gabinete de comunicação?”

– “Foi mal informado por parte da Habisolvis?”

– “Foi, pura e simplesmente, um lapso?”

– “Foi vítima de uma verdade com geometria variável?”

Com estas questões ganhavam os jornalistas, ao cumprir melhor o seu dever; ganhava a oposição, ao ver as suas dúvidas dissipadas; ganhava o Dr. Almeida Henriques, ao esclarecer a questão definitivamente; ganhavam os eleitores, em esclarecimento.

É que, a exemplo da “Confraria Infanto Juvenil”, ainda ninguém percebeu o que realmente aconteceu. E qualquer dúvida, mesmo que minúscula, é sempre demasiado para pender sobre a cabeça de um Presidente da Câmara.

Ps: Porque é que a comunicação social não deu o devido destaque a esta questão?
 

8 comentários:

  1. Estava ainda a recuperar da última prédica do Cavaco...a tentar adivinhar as misérias da vida dum presidente... e vem o Miguel com uma destas!
    Se volta a chamar-me empertigado e mentiroso corto ralações! É porque quer mesmo ser eleito, e por aqui estamos todos fartos de aldrabões!

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    1. Meu caro ou o chamei empertigado ou mentiroso As duas não chamei. Estou certo!

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  2. Almeida Henriques só ajuda a estender a passadeira vermelha a Fernando Ruas. Que volte rápido.

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  3. O rating de Almeida Henriques está bem abaixo da nossa república.

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  4. A cara dos da oposição de medo é confrangedora. Como foi possível não terem dito qualquer coisa deste género: "Muito bem Sr. Presidente, avance pois gostaríamos muito que Lisboa lavrasse o que aconteceu. Por isso reafirmamos, não só por escrito mas cara-a-cara: O Sr. Presidente da Câmara de Viseu, Dr. Almeida Henriques mentiu! A cara dos petizes que acabaram de levar um ralhete!

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  5. A oposição é fraca. O Viseu de hoje, com Almeida Henriques, seria o paraíso de uma oposição ambiciosa. Pior que o que temos hoje é difícil para quem gosta de moderação nas festas e vinho em doses equilibradas. Uma desilusão.

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  6. Como relações públicas, organizador de festas, forrobodó, apresentações, documentos bonitos e conferências Almeida Henriques tem feito um trabalho excelente. Mas esquece-se que de um presidente se espera acção e coisas feitas.Trabalho e obra realizada. Almeida Henriques não fez nada, não parece saber fazer nem tem na equipa quem faça. E já lá vai ano e meio de festas e Dão de honra. Será um periodo para Viseu esquecer. Venha o próximo que Almeida Henriques vai-se ver à rasca para ganhar um segundo mandato. E no PSD já lhe andam a fazer a folha pela desgraça da sua governação municipal.

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  7. Tenho acompanhado com atenção, embora à distância, a situação de Viseu. Já percebi que o presidente Almeida Henriques não dá conta do recado e é impopular. Não porque faz alguma coisa, mas simplesmente porque não faz. Preocupa-me. E preocupa ainda não haver oposição com nível para desmascarar a política de circo e fazer a câmara trabalhar. Onde vai parar Viseu assim?

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