quarta-feira, 16 de julho de 2014

Tchekhov nos Jardins Efémeros

 
Esta noite confesso: Não ia preparado para dar de caras, num edifício lindíssimo no entanto devoluto, com o poeta das vidas fracassadas. E lá estava ele alimentado por um ressentimento, daqueles que só os russos sabem fomentar, preparado para um mano a mano, de sala em sala e através de corredores, numa sequência avassaladora de ganchos de esquerda, de diálogos complexos, tragédias humanas e amores desencontrados; seguidos de poderosos ganchos de direita, de vencidos da vida, decadência burguesa e frustrações sociais. E eu , munido de um forte sentimento de dever, dei luta, fui às cordas por duas vezes e por duas vezes fui assistido por médicos incompetentes já alcoolizados. No fim, com a com a típica resignação dos homens inteligentes caídos em desgraça, fui ao tapete nocauteado por toda a força dos soviéticos. Tudo isto para vos dizer que perdi um incisivo mas também o coração naquele edifício, da Rua do Comércio nº 94,  e a culpa é inteirinha do Tchekhov.
 
 
A não perder nos Jardins do Costume!

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