quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Da Tribuna


1. Dias calmos na cidade. Fernando Ruas já tem sucessor nomeado. Em breve terá lugar, com honras de município, a tomada de posse. O que devemos esperar do herdeiro? A minha expectativa é relativamente modesta. Do eleito, cumprindo um programa de governo minimalista, apenas espero: honestidade intelectual; honradez pessoal; profundo conhecimento da realidade local; discurso directo e claro; autonomia, relativamente ao partido; intransigência na defesa dos direitos do concelho; aposta numa cultura de meritocracia. O seu programa deverá ser cumprido, sem grandes dramas ou traumas, atribuindo particular atenção entre outros aspectos à: atracção de investimento [oferta de emprego precisa-se]; dinamização do centro histórico [ponto obrigatório e multidisciplinar]; Feira de São Mateus como agente económico e cultural da região; solidariedade social; posicionamento de Viseu a nível nacional - Viseu como sinónimo reforçado de qualidade de vida; diversificação da oferta cultural; requalificação de espaços verdes [rotundas não contam]; aposta no desporto amador e escolar; capacidade de reforçar Viseu como destino turístico.

2. Caro leitor, basta um pequeno passeio pelas ruas de Viseu e somos confrontados com a dura realidade. A cada três ou quatro portas, mais um estabelecimento comercial fechado. Não ignorando a crise a que governos de cariz despesista, e com sérias dificuldades em admitir a realidade, bem como crédito pessoal facilitado, nos conduziram. Não estará na altura do poder local assumir este problema como prioritário? Na Praça da República, o novo senhor do lugar parece entender a necessidade desenvolver um plano integrado que dinamize o comércio local? Segundo o próprio, e ao que tudo indica, sim. Também é entendida a premência em facilitar a aproximação entre produtores, distribuidores e consumidores locais, no centro histórico bem como noutros espaços públicos? Se sim, menos mal. Não tomem este como um discurso de um perigoso radical de esquerda, longe disso. Todavia, qualquer conservador entenderá que a massificação em nome de economias de escala apenas terá como resultado a destruição de antigas relações comerciais locais. Com elas perdemos igualmente o nosso elemento diferenciador. Do centro histórico, em breve, apenas teremos ruínas de um passado não muito distante. No fim, em nome de uma falsa modernidade, o que restará? Centros comerciais cheios de gente pomposa mas irremediavelmente desenraizada, bem como uma cidade e um povo descaracterizados e sem identidade. É para aí que queremos ir? Não creio. É para aí que seremos conduzidos? Nos próximos quatro anos teremos a resposta.

3. Por norma, é na juventude que se cultiva uma terna sinceridade; que se dispensa a hipocrisia da vida adulta; e que se desenvolve um espírito voluntarista, nunca deixando de lado a coisa pública com uma visão positiva do mundo. Até a rebelde inquietude desta juventude é doce. Mas existe uma segunda juventude. Uma juventude soturna que parece ter 60 anos. Tal como os "velhos", ou influenciados por estes, percepcionam o mundo a preto e branco. Sem discriminação, dividem tudo entre um "nós" virtuoso e um "eles" causador de todas as iniquidades. Esta juventude, se deixada no infantário por sua conta, não se sabe comportar. Sem adultos por perto, começam a birra e puxam do tiranete interno para lançar o caos e a choradeira. Se ser jota é entrar nestas guerras, então o futuro partidário será negro e com cheiro a caciquismo dos anos 80. Os partidos precisam da primeira juventude, a segunda já é bem representada em instituições para ex-jotas. Serve este texto para recordar que a Juventude Socialista de Viseu, em breve, vai ter eleições. Aos candidatos e sua entourage o meu: “Alegra-te, jovem, na tua juventude”.

In: Jornal do Centro 

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