quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Da Tribuna [Jornal do Centro]



1. Chegou o Outono, as eleições passaram, Fernando Ruas tem substituto indigitado. Por mérito próprio, e não devemos ser ingratos, Fernando Ruas tem um lugar de destaque nos compêndios de história contemporânea de Viseu. O autarca social-democrata exerceu o poder durante quase duas décadas e meia, fruto de resultados eleitorais inequívocos. Não é brincadeira, meus senhores. No entanto, podemos dividir este período em duas partes distintas. 1ª Fase: 1989-2001 “Os anos dourados”. 2ª Fase: 2001-2013 “Os anos do ocaso”. Se no primeiro período -que, com alguma benevolência, admito que possa ser estendido até 2004- Fernando Ruas cumpriu, com louvor, o modelo autárquico em voga; no segundo período não foi capaz de concretizar “O grande salto em frente” – Mao chamar-lhe-ia a revolução cultural. Mas ao eleger Fernando Ruas, o povo, com a astúcia própria de um H. Kissinger, não desejava um grande, ou mesmo pequeno, revolucionário. O povo sabe que o futuro chega com calma. Do seu líder, apenas esperava uma figura que desse garantias que a vida seguia o seu rumo, sem grandes equívocos ou sobressaltos. O povo é soberano e esclarecido. Não há volta a dar meus caros. Em fim de época, e sem a certeza que não surja uma terceira fase, é importante reter que Ruas nunca foi derrotado nas urnas e tendo em conta o resultado do último fim-de-semana – o PSD, em 2009, obteve 62 % dos votos, contra apenas 46% em 2013-, mesmo sem ir a jogo, o valor eleitoral de Ruas sai reforçado. Não haja equívocos, como disse, o mérito é todo de Fernando Ruas. 
  
2. Nestas autárquicas, Hélder Amaral foi eleito vereador, com 9,54% dos votos, recordo que entre votos brancos e nulos registaram-se 9,62%. Não tendo, os votos de quem optou por votar branco ou nulo, menos valor do que, por exemplo, os que ajudaram a eleger António Almeida Henriques ou mesmo José Junqueiro, estes também deveriam estar de algum modo representados no executivo camarário. Estando perante um elevado número de Viseenses que decidiram despender o seu tempo, de modo a mostrar aos candidatos que não acreditam em nenhuma das opções apresentadas, um lugar vazio no executivo – de todos menos o do incontornável Guilherme Almeida, please!- seria a melhor forma de representação que poderia ser atribuída a este verdadeiro voto de protesto. A ser implementada esta medida, corríamos o sério risco de muito em breve o executivo ser integralmente composto por cadeiras vazias; o que seria uma lição, não apenas para os partidos e candidatos não-eleitos, como também para todos os que se demitem da sua participação cívica, deixando terreno livre para os suspeitos do costume fazerem da partidocracia a sua sala de estar.   
  
3. Dois breves apontamentos para os recém-eleitos. Em primeiro lugar, não desertem e cumpram os mandatos com o empenho e dedicação devidos. Em segundo lugar, as sábias palavras de Enoch Powell: “For a politician to complain about the press is like a ship’s captain complaining about the sea” i.e.: No que toca à imprensa, não sejam piegas.   

1 comentário:

  1. No Porto é que sabem !
    Em Viseu faltou a voz de um independente que se apresenta-se a eleições .
    Só em Abraveses houve essa ousadia e que por "acaso" deu em Vitória.
    Quanto ao ultimo paragrafo deveria tê-lo traduzido pois todos merecem ser elucidados do quão piegas são.

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