terça-feira, 27 de agosto de 2013

A Tribuna do Leitor [ainda os Campónios Iletrados]

Um leitor atento, em resposta ao post mais quente do mês, deixou um comentário em que coloca diversas questões. Vamos a elas, porque democracia sem democratas não é bem uma democracia.

Leitor:Então colocamos a fasquia por baixo?

Tribuna: Não. Colocamos a fasquia alta, afinal de contas, temos opções. Lemos jornais e artigos escritos por gente versada para gente versada; desvalorizamos Lucianos ou, em alternativa, manifestamos o nosso desagrado. Todavia, um cérebro limitado será sempre um cérebro limitado, mas tal facto não deve limitar o seu direito à opinião. Se os Lucianos se tornarem ofensivos, damos uso aos tribunais. Lamento, mas a democracia funciona assim.

Leitor:Não há seriedade jornalística nem responsabilidades editoriais?

Tribuna: Parcialmente, a questão não se coloca. E isto é importante distinguir: Estamos perante um artigo de opinião, não um trabalho jornalístico.
Relativamente à responsabilidade editorial, esta cai por inteiro no colo do editor. Ele faz a triagem que entende, o que aceitar será o reflexo do valor que ele pretende atribuir ao seu jornal. Aqui nenhum governante se pode imiscuir, ou tentar condicionar as opções tanto do editor como do colunista, sob pena de estar a entrar no campo da limitação de liberdade de imprensa e de opinião; facto grave em qualquer democracia.

Leitor:Os jornais passam a pasquins?

Tribuna: Se entenderem ser pasquins é problema deles, estamos no campo da liberdade editorial. Cabe ao público escolher se compra ou não, se lê ou ignora. Se o leitor entender formar uma banda “pimba”, logo que não obrigue ninguém a escutar, está no campo da sua liberdade.


Leitor:Os jornalistas podem julgar e fazer imputações a uma coletividade por atos imputáveis apenas a um cidadão?

Tribuna: No caso não era jornalista, como referi em cima, era apenas um colunista. A leitura que temos de fazer, entre os dois tipos de artigos – formal e com regras de jornalista ou pessoal e de mera opinião- será necessariamente diferente.

Leitor:Podem transmitir a mensagem ao país de que aquilo que é uma unidade afinal é o todo?

Tribuna: A imagem que o país tem de Viseu é moldada ao longo de um certo período de tempo, não será um artigo de opinião, muito limitado, que a irá alterar. Nenhuma pessoa com uma capacidade de discernimento mínima fará a uma avaliação com base num artigo de opinião, sendo que a larga maioria dos artigos sobre Viseu são bastante positivos. No entanto, se o Sr. Luciano tem má imagem de Viseu ninguém lhe poderá negar o direito de a transmitir; daí sermos apelidados de democratas e não de ditadores. Piores que as meninas de Bragança só mesmo as mães.

Leitor:A liberdade de expressão jornalística não se confunde com a distorção da mensagem, certo? Deontologia ainda tem significado ou é uma palavra vazia de conteúdo?

Tribuna: Martelo na mesma tecla. Estamos a falar de um artigo de opinião, na não distinção deste facto reside o erro fundamental da sua abordagem. Não está em causa "liberdade de expressão jornalística", pelo simples facto de não estarmos a falar de um trabalho jornalístico, mas sim de um artigo de opinião pessoal; logo, e ao contrário do artigo jornalístico, este não tem de obedecer a qualquer regra deontológica apenas responde perante os valores, a razão e o entendimento do autor. Sim a deontologia tem significado. Um jornalista, que não é o caso de Luciano Amaral, tem a obrigação de se guiar por ela. No entanto, se os valores do colunista –que é a função de Luciano Amaral- são fracos, se as suas ideias não passam de lixo e a sua razão está ao nível do chão, temos de desvalorizar o conteúdo do que foi escrito; se a isto somarmos o facto de a opinião expressa ser insultuosa, temos tribunais para resolver a situação.




Agora a parte realmente IMPORTANTE:

Quem exerce funções de poder, sendo candidato ao mais alto cargo local, deve pautar a sua intervenção pelos mais altos cuidados, tanto na defesa de quem representa como na defesa do valor maior que é a democracia. Assim sendo, não deve procurar condicionar ninguém por mais desajustada que seja a sua intervenção pública.

O erro político, plasmado no uso expressão, de Almeida Henriques, "certo da sua intervenção neste caso", infelizmente, é comum em Portugal. Quem não se recorda das queixas de pressões, sobre jornalistas, exercidas por Miguel Relvas ou pelos governos de Sócrates? Não podemos ser Sociais-Democratas às Segundas, Quartas e Sextas e Estalinistas, daqueles que fazem telefonemas para as redacções, às Terças, Quintas e Sábados. Temos de escolher um lado, ou Democrata ou Autoritário, não dá para ser os dois.

Tendo em conta que a Liberdade de Opinião faz parte dos Direitos Naturais [Aquino; Hobbes; Locke; Rousseau; Grócio; Jefferson – espero que todos os candidatos autárquicos estejam familiarizados com as suas ideias-], estando inscrita nas Quatro Liberdades Fundamentais, que os Regimes Democráticos, entre os quais Portugal, assumiram, e bem, como válidos. Volto a repetir: Um democrata, dos seus representantes apenas espera que perante os Lucianos desta vida digam sem qualquer equívoco: "Discordo deste ignorante, mas defenderei até ao fim o seu direito à ignorância e a dizer todas as barbaridades que entender".

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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    1. Não vou maçar os leitores, mas fico grato pela sua simpatia.

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  2. Então, Almeida Henriques ainda não é presidente e já está com tiques de autoritarismo? Começa bem...

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