1. Incubadora de Empresas: No decurso
natural da história dos povos, diversos foram os líderes que ao longo da sua
vida mudaram de opinião, ou de partido, sem que o caos viesse ao mundo. Winston
Churchill será o exemplo mais flagrante. Surpreendentemente, numa terra em que
o tempo demora a passar, o mesmo aconteceu com Fernando Ruas. No espaço de duas
mudanças de calendário, o ilustre autarca alterou a sua opinião relativamente às
incubadoras de empresas. O único lamento é que apenas o tenha feito com uma
década de atraso em relação ao boom destas iniciativas na lusa pátria. Vamos a
factos, a 28 de Agosto de 2010, em plena Assembleia Municipal, Fernando Ruas, dominando
como poucos a arte da “fina” ironia, afirmava: “…uma Incubadora no Centro
Histórico… Eu a princípio até pensei andamos com algum problema com a história
das funerárias, já lá há no Centro Histórico, mas não é a mesma coisa..."
Chegados a Novembro do corrente ano, um Fernando Ruas visionário lança o
projecto de uma incubadora de empresas, na antiga sede dos bombeiros
voluntários de Viseu em pleno centro histórico. Relativamente ao espaço escolhido,
ultrapassada a ideia de por lá instalar a loja do cidadão e mais tarde alguns serviços
municipais, logo que se preserve o imóvel de alto valor histórico e patrimonial,
a escolha parece acertada. De forma a minimizar os riscos, ao nível da gestão
do conceito, será conveniente realizar um estudo prévio que contextualize o
sucesso obtido por outras incubadoras de âmbito municipal que se desenvolveram
nos últimos anos. De modo a que este projecto não esteja condenado à nascença,
também será sensato, que a escolha para ocupação do espaço recaia sobre empresas
tecnologicamente avançadas, criativas ou de elevado valor acrescentado. Ao
analisar este tipo de apoio ao desenvolvimento económico seremos induzidos a
concluir que, grosso modo, apenas as incubadoras umbilicalmente ligadas a
estabelecimentos de ensino superior, a um tecido empresarial inovador ou a uma
população dinâmica e com massa crítica disponível, onde abundem especialistas
e/ou criativos capazes de dinamizar constantemente o espaço, atribuindo uma vida
autónoma (longe da mão protectora do Estado) à incubadora, parecem atingir relativo
sucesso. Neste momento, ainda sem dados concretos sobre os moldes em que este
conceito vai ser desenvolvido, será sempre injusto questionar a bondade da
iniciativa. Resta esperar que a autarquia tenha a capacidade de estudar e
aprender com os erros de terceiros. Numa cidade sem tradição industrial, não
nos podemos dar ao luxo de perder duas vezes o mesmo comboio.
2. Incubadora de Ideias: O ano de 2013 do
calendário gregoriano anuncia o fim de uma era política. O modelo de
desenvolvimento proposto pelo Engº Carrilho, em grande parte executado por Fernando
Ruas, já não garante resposta às necessidades desta cidade, neste século. No
entanto, apesar do “modelo Carrilho” estar esgotado, o Ruísmo dá sinais de resistir
ao seu fim anunciado e as máquinas partidárias teimam em adiar o despontar de
uma nova geração de ideias e líderes. Entretidos em combates internos, tanto o
PS como o PSD, parecem pouco preocupados em debater a cidade. Os partidos
políticos ou tão pouco a sociedade civil, não parecem encontrar soluções para
este impasse. Afigura-se forte, a probabilidade de ser perdida uma oportunidade
de agentes políticos e sociedade civil sentarem à mesma mesa os seus elementos
mais válidos, para em conjunto, livres de preconceitos ideológicos, definirem
um projecto de cidade. A política local carece de uma linha orientadora de
ideias e objectivos que os cidadãos reconheçam como desígnios a serem atingidos.
Em época de troika, a lógica, até aqui reinante, de projectos avulsos, obras
fátuas sem qualquer visão estratégica ou gigantismos de personalidade terá de
ser definitivamente ultrapassada.
3. Incubadora de Vices: No culminar de uma
longa carreira como vice-presidente, mantendo a mesma equipa, não se
vislumbrando um inequívoco pensamento de fundo sobre a cidade, Américo estará à
altura dos tempos? Temo que a resposta seja negativa.
In: Jornal do Centro
Excelente e fundamentada visão. Continue Miguel. Tal como tantos outros, também partilho da opinião que Américo é passado sem capacidade nem competência para o futuro. A ideia de sugerir Américo só pode vir de que ainda não percebeu que já chegámos ao século vinte e um.
ResponderEliminarBom texto.
ResponderEliminarAs incubadoras entraram na nossa política a pontapé, em Vila Real, em 2004, pelo grande Pedro Santana Lopes.
Estado e iniciativa empresarial é coisa que não costuma dar grande resultado e o que tenho ouvido para aí dizer sobre o assunto — incumbações, subsidiações, terrenos ao preço da uva mijona, parques tecnológicos e assuntos aparentados — parece-me modismo pouco estudado e com potencial de derretência de dinheiros públicos para nada.
Enfim, de qualquer maneira, o "wait and see" vigilante deste texto parece-me bem.
Já a descrição do "visionário" engº Carrilho que teria nos anos de 1980 adivinhado o devir viseense pertence à mitologia democrata-cristã, fica bordão na voz de Helder Amaral, mas tem pouca sustentabilidade nos factos, caro Miguel.
Abraço
Caro Joaquim Alexandre Rodrigues,
EliminarA incubadora ainda está no papel, daí o esperar para ver, na expectativa que se aprenda com os erros de terceiros e se desenvolva um projecto com "pernas para andar". ~
Relativamente ao engº Carrilho, do conhecimento que tenho, foi discutido um plano estratégico para o concelho que incluía as forças vivas da cidade e nele constavam as circulares tão caras ao Dr. Ruas e os parques industriais.
Mas o texto deve ser entendido mais como o anunciar de um fim de era (esgotamento de um modelo) do que a glorificação de tempos idos. A pergunta que fica é: Os partidos (PSD e PS) estão preparados para mudar de registo?
Grande Abraço
Caro Miguel Fernandes,
EliminarPelo que se tem visto e ouvido, não estão, os "gabinetes de estudos" partidários (a designação varia) que estão a operar preparam-se solenemente para inventar a roda.
Não faz mal, o que importa depois é ouvir de viva voz as ideias dos vários candidatos.
Grande abraço
De viva voz. São os candidatos que nos têm de convencer. Grande abraço.
EliminarRuismo só pode ser um termo para classificar o preenchimento de mais de 20 anos de vazio por Ruas. Ruismo pròpriamente não existe, porque não existiu projecto, nem ideologia. Continuou o projecto de Carrilho, e quando o terminou começou o vazio, o navegar à vista, ao sabor dos ventos e dos dinheiros de Bruxelas. Ao ponto de se dizer que o funicular custou 12%. Mas 5 milhões são 12% de quê?
ResponderEliminarHoje anuncia-se uma sinagoga, amanhã já é um museu, depois uma loja do cidadão, depois uma incubadora, ontem um centro de artes, hoje um parque de estacionamento. Isto foi o Ruismo.
Com um orçamento de 75 milhões. Tresentos mil euros/dia útil, é bom mostrar assim as contas. Sessenta mil contos por cada dia de trabalho!!!! E a obra?
Boa análise. É o momento de chegada de um outro visionário com olhos no futuro.Pela amostra dos proto-candidatos, nem o PS nem o PSD percebem que a era do betão já foi.Insistir num modelo gasto, em personalidades com pés de barro é agravar os problemas de hoje.
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