1. Sub-Aproveitados: Bastante dinheiro, alguma tinta e uma carga de
macadame depois há vida no ex-futuro-centro de artes e espectáculos, actual
futuro parque de estacionamento. No plano conceptual, entre mais um parque de
estacionamento pago e um centro de artes, a última opção seria a escolha óbvia,
mas Viseu, como Portugal, vive no plano real e este não está pelos ajustes.
Segundo os ministros de Lisboa, pelos ajustes orçamentais este país não está e
as questões culturais, como sempre, são vistas como acessório de menino rico ou
militante do Bloco! Se por um lado Viseu não seria a primeira cidade a
valorizar-se partindo de um projecto cultural, por outro em tempo de vacas
magras levantam-se outras prioridades. Nem tudo é mau, neste momento possuímos
diversos espaços genuinamente talhados para actividades culturais onde nada
existe - Parque Aquilino Ribeiro, Mercado 2 de Maio, Fontelo, Parque Urbano da
Aguieira, Centro Histórico, Mirita Casimiro, Pavilhão Multiusos e, quem sabe,
uma ou duas rotundas. Resta dar vida, procurar dinamizar estes espaços e neles
valorizar a produção local de modo a desenvolver uma dinâmica cultural com um
carácter distintivo. Este é o trabalho de casa autárquico que temos de fazer se
queremos deixar de ser uma cidade subalterna em termos culturais. Se a cultura
é alimento para a alma, ao fim de duas décadas esta comunidade está
sub-nutrida.
2. Balanço da Feira: A
Feira, não tendo sido formalmente condenada em julgamento público por um juiz
competente, passou as últimas décadas agrilhoada às ruas da amargura. Os
executores da pena - máxima e sem direito a precárias- passeiam no mundo dos
vivos, sem tempo para inquietações de alma. Em jeito de balanço desta edição, José
Moreira reconhece que a cada ano o desafio é renovado. Este ano, além do
alargamento temporal, o certame acolheu mais 35 mil visitantes pagantes, um
resultado positivo em tempos difíceis. José Moreira sabe que, como ponto de
partida para um futuro melhor, é necessário perceber o que falhou e introduzir
melhorias já na próxima edição, de maneira a tornar o espaço mais atractivo. Segundo
o mesmo José Moreira, a feira terá de se ajustar aos dias que correm, sendo
necessário construir a feira de hoje com olhos no futuro. Aqui é necessário não
tomar a árvore pela floresta e assumir que a feira provavelmente será o maior desafio
social, cultural e económico de Viseu. A breve prazo, é imperativo construir
uma feira diferente, mais apelativa, virada para o século XXI. Para atingir
este desígnio sobra muito trabalho pela frente, as novidades terão de ser uma
constante na vida da feira, a programação terá de ser variada, coerente e apelativa
a todos os públicos. Só assim será possível atribuir ao evento uma dimensão
maior e definitivamente afirmá-lo como uma marca das beiras. Da “luta de
classes” deverá nascer um meio-termo entre um modelo tradicional e um modelo
vanguardista de feira. O poder ouviu Moreira?
3. FAV(as) Contadas: Há turbulência na Federação Académica de Viseu. Recordo o tempo em que fazer uma licenciatura significava 4 ou 5 anos de vida académica, literária e cultural para ser vivida intensamente e em grupo, com sorte esse grupo de amigos trazia mais para cima da mesa do que um jogo de sueca ou bisca lambida. Hoje em dia a inscrição numa licenciatura serve para o lançamento de projectos de poder nos quais ex-jotas, às portas da ternura dos quarenta, com o apoio das máquinas partidárias, tomam os lugares que deviam ser ocupados por jovens, com vista a marcarem uma posição para o seu futuro. Neste jogo, já não há lugar para os românticos da academia.
In: Jornal do Centro
Mais uma vez um bom artigo. Ficamos já à espera do próximo. Bom fim de semana
ResponderEliminarObrigado.
EliminarMais uma vez excelente, fiz valer a pena comprar o jornal do centro. O seu humor é refinado. Viva a geração de 80
ResponderEliminarObrigado
EliminarCULTURA E FEIRA DE SÃO MATEUS ... POR CERTO SABERÁ QUE DECORREU DURANTE A FEIRA DE SÃO MATEUS UM CONCURSO FOTOGRÁFICO COM O TEMA "MÃOS" ... PARA QUÊ??? NÃO SEI, OU ALGUÉM SABERÁ, FORAM PREMIADAS, SIM, ALGUMAS FOTOS, CONFORME REGULAMENTO, MAS QUANDO E AONDE ... E PORQUE NÃO HOUVE EXPOSIÇÃO DAS MESMAS COM TANTO ESPAÇO DURANTE O CERTAME, BASTAVA RETIRAR AS FOTOS DE "PROMOÇÃO" DE OBRAS DO SR. RUAS ... ASSIM NÃO DÁ PARA VOLTAR A PARTICIPAR ... QUANTAS FOTOGRAFOS PARTICIPARAM,COM QUE FOTOS, AS QUE GANHARAM ERAM MERECEDORAS??? ... OU FORAM PRÉMIOS PARA "AMIGUINHOS"???
ResponderEliminarComo sabe aquilo é tudo treta. Um espaço nobre reservado para mostrar os buracos abertos (incluindo os financeiros) vale mais que tudo.
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