1.
Comunicação
Errática: Abro o jornal e espero receber substantivas doses de informação,
servidas por mãos cultas, acompanhadas por colunas de opinião que de forma
superior desconstruam a intrincada realidade em que vivemos. Serão os jornais
de referência uma espécie em vias de extinção? Primeiro a rádio, depois a
televisão, e por último a internet (blogs, facebook, etc…) conduziram a
leitores em fuga e vendas em queda livre. Se falarmos de imprensa regional,
dado o restrito mercado publicitário e de leitores, a situação degrada-se a
olhos vistos. Estaremos, em Viseu, perante um eucaliptal domesticado (aqui há Olho de Gato)? Um eucaliptal que se demite de informar e pensar a cidade, no
entanto, pródigo em exemplos de más práticas e falta de ética deontológica? Se
sim, como reverter esta situação? Uma primeira abordagem passa pela imprensa
deixar de entender o leitor como consumidor passivo de factos. Ultrapassar de
vez o trauma do “jornalismo burocrático”, “feito na secretaria”, construído
sobre transcrições de comunicados ou copy past do clipping debitado por
agências noticiosas, é necessário ir além da mera bondade semi-académica: Como?
Check; Quando? Check; Onde? Check; Soundbite? Check. Neste século a imprensa
não pode ter um olhar aposentado de pensamento e identidade. Como leitor de
imprensa regional espero uma narrativa essencialmente local. Desejo saber o que
sente o vencedor, o cavalheiro que mora na rua ao lado; sentir a mágoa do
derrotado – a história do derrotado é sempre melhor do que a do vencedor -, um
ser humano como todos que mora na rua de cima. Espero um relato factual e ao
mesmo tempo pessoal mas sem espaço para comiserações venezuelanas ou
glorificações norte-coreanas. Uma cidade sem um jornal de referência, com uma
robusta identificação regional, que mereça ser lido não é uma cidade, é uma
povoação. É aqui que começo a folhear o Jornal do Centro.
2.
Ano
Conturbado: O ano de 2012 está a ser conturbado para o conservadorismo
local. Depois da saída de Rui Santos, da não-recandidatura de Jorge Azevedo,
chegou a hora de José Carreira se demitir. Sobre as causas, para as demissões,
pouco ou nada se sabe. Resta a certeza de que para o CDS-PP sobreviver terá de
se abrir à sociedade, apresentar caras novas (apenas a fotografia de Hélder
Amaral no cartão de visita é pouco), abrir a porta a novas ideias, criar
alternativas, apresentar um projecto político credível e assente em propostas
realistas. O trabalho de base, para que esta nova geração de políticas e
agentes políticos surja, deveria ter sido continuado desde as autárquicas de
2009, tendo sido prematuramente interrompido. Nas últimas duas décadas a
sociedade viseense evoluiu, já os partidos, no meio da dormência do Ruísmo, não
se conseguiram regenerar. Tal como Rui Santos referiu, a este jornal, neste
momento impõe-se uma refundação do partido que leve à apresentação de
alternativas políticas ancoradas na realidade actual e que correspondam às
expectativas do eleitorado. Do confronto entre o velho e o novo CDS, espera-se
que emirja um partido aberto, inclusivo, moderno, conservador mas livre de
arcaísmos; sem tempo para ilusões, demagogia, alianças ou gigantismos fátuos.
3.
Injustiça
Socialista: É impossível não notar nas palavras de José Junqueiro, em
entrevista a este jornal (ed. 553), alguma “urticária” relativamente à condução
do processo de escolha do próximo candidato autárquico, por parte da concelhia.
Nesta entrevista encontramos em Junqueiro um homem de convicções. Junqueiro
sabe que é um erro pensar em 2015, tendo um difícil 2013 pela frente. Lembra
que a sua candidatura em 1993 foi a melhor sucedida do universo socialista;
reforça a necessidade de preparação antecipada; deixa subentendido que gostaria
de repetir a experiência, sendo que não atingiu este desiderato devido a
factores externos, um “passageiro negro” nunca identificado. No entanto, está
desiludido com a menoridade política da actual liderança, incapaz de estar à
altura das circunstâncias. Em suma, estamos perante uma injustiça. Mas quem
disse que há justiça no socialismo?
In: Jornal do Centro
Caro Miguel,
ResponderEliminarHonrado pela referência ao Olho de Gato e não podia estar mais de acordo: o espaço público precisa de jornalismo a sério.
Abraço
Eu é que agradeço os excelentes textos do Jornal do Centro.
EliminarAbraço.
Mais um bom texto, força!
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