1. Tratar da Saúde: Nas últimas semanas,
os deputados do PS, eleitos por Viseu, questionaram o ministério da Saúde a
propósito da construção de um centro oncológico nos terrenos do Hospital S. Teotónio.
Tendo em conta que a criação desta unidade encontra-se projectada desde o último
governo liderado por José Sócrates, o actual executivo foi questionado se a construção,
da mesma, ainda faz parte dos planos do ministério e qual o tempo de execução
previsto. Apoiados no estudo “ Acesso, concorrência e qualidade na prestação de
cuidados de saúde de radioterapia externa” da entidade reguladora de saúde,
aferimos que, na região centro, 44% da população reside a pelo menos 60 minutos
de uma unidade com serviço de radioterapia, sendo que esta situação se agrava nos
distritos de Viseu e Guarda. Neste contexto, não descurando a grave crise que o
país atravessa, é fácil concluir que o desenvolvimento deste projecto é de
extrema importância para a melhoria da qualidade de vida de todos os doentes oncológicos
da região. Sendo verdade que diversos governos, nos últimos 30 anos, não fazem
outra coisa sem ser “tratar da saúde” do interior, e que entre trocas de
executivos esta região perdeu ou viu adiados projectos vitais para o seu
desenvolvimento (como o Comboio, a Universidade e a Auto-estrada Viseu-Coimbra),
resta a pergunta: Quando deixamos de ser a cidade do quase? Neste jogo entre o
deve e o haver, ficamos sempre a sonhar com o que poderia ter sido.
2. Tratar dos Emigrantes: José Cesário, um
exemplo do estilo de políticos que nos trouxeram a este ano de 2012, acumula
horas de voo, será que cumpre a diplomacia económica de Paulo Portas? Até aqui
tudo bem, ou tudo mal - depende do optimismo do leitor - o problema do Secretário
de Estado está na acessoria, no GPS, ou pior, nos dois. As latitudes
frequentadas pelo Secretário de Estado das Comunidades são boas na óptica do
turista (aquele turista barrigudo de bermudas, havaiana, meia branca e camisa
garrida), no entanto más na óptica dos empresários nacionais ou pouco
representativas da diáspora nacional. A comunidade lusa necessita de um “diplomata”
que conheça os problemas das suas gentes, ligue o descomplicómetro, simplifique
os processos, que esteja presente, que apoie a expansão da nossa cultura, que
perceba que em pleno seculo XXI somos bem mais que folclore, bacalhau cozido,
carrascão e pimba, que perceba que o quinto império só será realizado através
da língua e cultura nacional. Neste momento excepcional, com uma nova vaga de
emigrantes de perfil distinto das anteriores vagas, Portugal necessita de
governantes excepcionais que lancem as bases para o nosso futuro que, como
sempre, é grande demais para este cantinho. José Cesário, por demérito próprio,
está na boca do canhão.
3. Tratar da Indústria: Caro leitor,
avanço com 10 nomes (caso o seu sobrenome seja silva p.f. ultrapasse o trauma
dos likes): Broose, Labesfal, Inter-recycling, Lusofinsa, PSA, Sonae, Huf, Topakc,
Borgstena, Avon Automotiv. Não se preocupe, estes não são os nomes das bandas
de roque-enrole que as criaturas, que insistem em tratá-lo por pai, ouvem
lançando na sua casa um mar de som insuportável. Estes são nomes de unidades
industriais que se instalaram em concelhos limítrofes de Viseu, unidades exportadoras,
reconhecidas internacionalmente nas suas áreas de produção, que empregam
milhares de pessoas (muitas das quais nossas vizinhas, conhecidos ou amigos),
geradoras de milhões de euros em receitas e que colocam o distrito e a região
no roteiro da indústria. Viseu beneficiou com a instalação destas unidades,
fixámos população, acolhemos alguma da mão-de-obra que passaram a ser Viseenses
de coração, podemos reforçar a oferta de serviços. Mas não seria melhor se
estas e outras unidades estivessem a ocupar os nossos parques, a pagar aqui os
seus impostos, a criar aqui oportunidades de emprego, a transformar Viseu numa
cidade industrial e mais atractiva?
In: Jornal do Centro
Nesse particular o sr Ruas insiste em dizer que é melhor ter a cidade para viver e os arredores para trabalhar,com uma pérola emitida na última Assembleia Municipal."Preferem viver no Estoril e trabalhar na Rinchoa ou o contrário"? O presidente da Junta da Rinchoa adorou a promoção!A verdade é que parece que trabalhou para ter indústria fazendo parques industriais, mas faltou a capacidade para a atrair. Agora,trocado o caminho, e perante o fracasso, acha-se feliz com o resultado. Quem lhe pede então de volta o que andou a gastar em parques industriais? Industriais? Impotência mais que assumida, e continuação da recusa do médico.
ResponderEliminarMiguel, adorei o artigo do início ao fim, e identifico-me com todos os pontos focados.
ResponderEliminarA teoria do quase arrasta e tresanda, o quinto império insiste em ser materialista e económico e a indústria... digamos que até trabalho numa das empresas mencionadas, e quantas vezes já não disse que invejo essas cidades limítrofes a Viseu por terem estas empresas e não Viseu...
Se me permite, vou publicar este artigo no meu blog.
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