sexta-feira, 29 de junho de 2012

Direita, Turismo e Lazer (Jornal do Centro)


1.       Espírito conservador: O que falta à direita local? Existe, em Viseu, uma direita culta, que não é autoritária na acção, reaccionária no pensamento ou saudosista da velha senhora. Uma direita que dispensa o pessimismo, os suspensórios ou as botas de combate. Uma direita que faz a simbiose entre o tradicional espírito conservador e moderno apreço pelos movimentos culturais vanguardistas. Uma direita que não é contra a mudança, apenas cautelosa quanto ao futuro e defensora da tradição. Uma direita que leu Montaigne, Burke, Hobbes, Oakshott, logo inábil para o soundbyte. Que advoga um conservadorismo prudente, que sabe que o que se perde hoje dificilmente será reconquistado amanhã. Não foi assim com o comboio? Numa época em que o betão urbano deformou a paisagem; o centro histórico é abandonado e descaracterizado em favor de uma modernidade, muito kitsch, acessível entre neons do centro comercial; e do pavor à portugalidade, falta que esta direita se manifeste e mostre o que pensa sobre a cidade. A exemplo da esquerda-socialista, com o blogue Novos Horizontes, a direita cultural deve afirmar-se e produzir opinião sem complexos ou meias palavras. Será Hélder Amaral capaz de realizar este aggiornamento da direita culta, jovem e conservadora com a direita política que o CDS-PP representa? Conquistar este espaço é conquistar o futuro do conservadorismo local. 

2.       Cidade Museu: Na última edição deste jornal, em entrevista, a Secretária de Estado do Turismo afirmou: “ Não é preciso ter praia para ter turismo”. Retive esta frase não por ser uma revelação, mas por ser uma constatação óbvia, no entanto pouco ou mal entendida por quem assume responsabilidades nesta área. A ideia de cidade museu e cidade jardim é positiva, mas claramente insuficiente e algo redutora. Com os lamentáveis os atrasos de sempre, o museu Almeida Moreira adia a sua abertura, o Museu do Quartzo vive numa fase embrionária e com horários desajustados à procura. Por fim vemos o projecto do Centro de Artes prestes a ser asfaltado, logo a programação disponível na cidade é esgotada numa tarde. O que mais temos para oferecer? História, património, cultura, lazer e centralidade geográfica. Em que temos de apostar? Na diversificação, na qualidade da oferta e no reforço da exposição mediática ao público-alvo, aproveitando a parca oferta: os interessantes Jardins Efémeros, feiras gastronómicas, a Feira de São Mateus, roteiros culturais (ainda desorganizados), turismo religioso (sem coordenação), congressos com promoção, etc... Como concretizar? Sendo um sector estratégico não pode mais a CMV andar a reboque do excelente trabalho da ARPT do Centro, porque as competências são de âmbitos distintos, embora complementares. O Vereador responsável deve pensar o turismo a médio prazo para, de forma consistente, criar riqueza e dinamizar uma rede entre todos os agentes (culturais, turísticos, associativos, desportivos), desenvolver um referencial de informação (Time Out Viseu?) para divulgar e comunicar com mais dinâmica a oferta no contexto nacional. Viseu já não sonha com um futuro em betão armado!

3.       Verão: Chega o Verão, os emigrantes enchem as ruas, o corpo pede descanso…altura para pôr a leitura em dia, fica a dica: "O código dos Wooster" e "Época de acasalamento". Estes dois livros, da autoria de P.G. Woodhouse, contam as aventuras de Bertie Wooster, um cavalheiro de classe alta com bom coração, propenso para arranjar problemas, sempre acompanhado do seu mordomo Jeeves um "cavalheiro de cavalheiros", educado e inteligente. As histórias ocorrem num mundo louco de "tias de nariz empinado", "primos estouvados", rapazes sem maneiras e raparigas inteligentes. Em época de crise, o humor "culto" é uma benção.


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