segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ruas desertas

Não é necessário ler isto, basta um passeio pelas ruas de Viseu e somos confrontados com a dura realidade. A cada três ou quatro portas, mais um estabelecimento comercial fechado. Não ignorando a crise a que governos de cariz despesista, e com sérias dificuldades em admitir a realidade, bem como crédito pessoal facilitado, nos conduziram. Não estará na altura do poder local assumir este problema como prioritário? Na Praça da República não compreendem a importância de desenvolver um plano integrado que dinamize o comércio local? Não entendem a premência em facilitar a aproximação entre produtores, distribuidores e consumidores locais, no centro histórico bem como noutros espaços públicos? Não me tomem como perigoso radical de esquerda, longe disso. Todavia, qualquer conservador entenderá que a massificação em nome de economias de escala apenas terá como resultado a destruição de antigas relações comerciais locais. Com elas perdemos igualmente o nosso elemento diferenciador. Do centro histórico, em breve, apenas teremos ruínas de um passado não muito distante. No fim, em nome de uma falsa modernidade, o que restará? Centros comerciais cheios de gente pomposa mas irremediavelmente desenraizada, bem como uma cidade e um povo descaracterizados e sem identidade.  

1 comentário:

  1. "Testemunhas" da câmara municipal foram a tribunal, há já alguns anos, defender as "novas centralidades" num caso de expropriação de um estabelecimento comercial na Rua Formosa, portanto era de esperar!

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