segunda-feira, 26 de março de 2012

A massa crítica de Lúcia Silva

18:45: Sentado no café da esquina, Diário de Viseu nas mãos,  a ler o discurso de Lúcia Silva. 
19:00: Entra um amigo, burguês e jota de longa data, à espera de "emprego/tacho" também há longa data.

Amigo: Olá Miguel, estás mais magro.
Eu: Olá F., a crise afecta todos. E tu mais gordo, cada vez mais gordo. Seu malandro, não me digas que a jota já te garantiu o futuro? (Risos)
Amigo dispara: - A jota? Ainda não, mas vai chegar o dia (sorriso de esperança). E o que achaste do discurso da Lúcia Silva? 
Resposta: - Nhec! (encolho os ombros)
Amigo: - Nhec? (sobrolho levantado) Como assim Nhec? O discurso está em Russo? 
Eu: - Não. O Discurso está em bom português, vírgulas e pontos no sítio mas sabe a comida vegetariana. 
Amigo (em desespero): Comida vegetariana? 
Eu: Sim. Podia ser carne, podia ser peixe, mas era uma salada e sem o sal da vida política.
Amigo: Uma salada? Um discurso sobre dieta? Mas então que o faltou?
Eu: De modo geral, o discurso não apresenta grandes erros, não arrisca, faz o roteiro habitual. No final só faltou o agradecimento ao pai, à mãe, ao realizador e aos fãs. 
Amigo: Então é positivo! Reparaste na quantidade de incorrecções, citações mal feitas e enganos que povoaram as eleições do PS com D? Agora isso não se repetiu.
Eu: Sim, mas tem calma. Ainda há tempo para repetir o estilo laranja.
Amigo: E tem algum erro de palmatória? Um Sá Carneirismo versão socialista?  
Eu: Por ter sido uma salada ligth, não foi possível notar nada de extraordinário. Se tivesse de apontar um erro seria a ideia de ter destacado o aumento do número de militantes para corroborar um alegado aumento de massa crítica. A massa crítica (entendida em termos sociológicos, não em termos nucleares) existe numa correlação entre quantidade e qualidade. E quantidade não significa qualidade. Podemos ser milhões sem ter um neurónio activo, como também podemos ser apenas dois e ter uma dinâmica que possibilita uma análise crítica válida. Do mesmo modo que duas pessoas podem desencadear um pensamento político alternativo e dinâmico, um milhão de pessoas pode passar a vida a pastar numa imensa planície de lugares comuns.

(Reparo que o meu amigo adormeceu, levanto-me e em silêncio saio sem pagar a conta)

2 comentários:

  1. «Entra um amigo, burguês e jota de longa data, à espera de "emprego/tacho" também há longa data.» - com 'agá': há longa data!

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    1. Amigo tem toda a razão. Não foi má fortuna mas sim erro meu. A expressão indica tempo decorrido, por isso leva o agá. Será corrigido. Eu sabia que tenho leitores inteligentes! Grato pelo alerta.

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