quinta-feira, 1 de março de 2012

Dignidade no exercício de funções



Uma lista de tarefas destinadas apenas a mentes civilizadas: Política; Debate; Comunicação; Argumentação e contra-argumentação. Uma verdade absoluta? Antes pelo contrário, estimado leitor. Os factos estão longe de o confirmar. A dura verdade é que, em Portugal nunca se cultivou uma cultura de debate aberto e livre. Sinal de que, como povo não valorizamos a liberdade? Provavelmente. A qualidade do discurso político tem vindo a degradar-se, tanto a nível da linguagem, cada vez menos rica e articulada, como ao nível da capacidade argumentativa, paupérrima quase miserável. Será que, estes factos se devem a uma descida do nível intelectual dos próprios agentes políticos? Salvo honrosas excepções, tudo leva a crer que, este fenómeno também é um facto. As dificuldades de comunicação com o espaço público, tornaram-se evidentes, com o advento das redes sociais. Os políticos encontraram novas ferramentas de comunicação, mas ironicamente não as sabem explorar. O fluxo de comunicação tem agora dois sentidos. Facto ainda não absorvido. É aí que reside a principal dificuldade da tribo política. Ao tradicional fluxo eleito - eleitor, juntou-se, o fluxo eleitor - eleito. Para C. Mueller, a crise de autoridade política também se deve à má comunicação política.
Não percebi… importa-se de repetir? O leitor pede um exemplo? Claro que posso avançar com um exemplo. Aliás, vou ser generoso, avanço com dois relativamente frescos!
Na última semana o deputado Pedro Alves, já ontem o secretário de estado José Cesário. Ambos, numa tentativa de mostrar algum tipo de pensamento, ou marcar posição política, apenas lograram esvaziar as suas funções da ética e do sentido de estado que lhes estão associados. Conseguiram, ao mesmo tempo, banalizar o diálogo político, diminuir a opinião que o eleitorado tem sobre os políticos e lançar dúvidas sobre a própria capacidade intelectual/comunicativa dos representantes.
Um serviço sem o qual a república ou os eleitores passavam melhor. Dignidade é necessária!
De modo a que isto não se repita, fica uma sugestão de leitura, sobre comunicação política: The politics of communication, da autoria de C. Mueller, editado pela Oxford University Press.

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