terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Viseu 2013 e a herança de Ruas




Sou a favor da limitação de mandatos, se o autarca, ao fim de alguns anos, tem dificuldade em encontrar a porta de saída o legislador terá de o auxiliar. Do meu cadeirão, acredito que dois mandatos são suficientes, mas sendo a cadeira do poder mais confortável, se forem três não levantarei objecções.
Agora, vergonhosa é a ideia de que a autarcas em término de funções num concelho, seja permitida a candidatura à presidência de municípios vizinhos. Infelizmente, na vida política, todos sabemos, a vergonha costuma ser deixada na entrada, junto ao chapeleiro escondido atrás da porta.
Chega de conversa fiada. Vamos ao que interessa, o leitor está preparado?
No próximo ano para desgosto de muitas famílias e alegria de outras tantas, termina a dinastia Ruas que, após seis (6 leu bem, mas eu soletro S-E-I-S) longos mandatos, é obrigado a sair por uma questão legal (a tal limitação de mandatos). Na minha opinião, Ruas (a.k.a. Streets caso o leitor esteja em terras de sua majestade) é um homem que gosta da sua terra. Acertou algumas apostas, falhou redondamente outras. Com isso a cidade por vezes ganhou, enchendo-nos de orgulho, outras perdeu, deixando-nos de ombros encolhidos e rosto corado de vergonha. Para a posteridade fica o facto de que, nas urnas (urnas de voto, claro), o “Mayor” Ruas ganhou sempre, algumas vitórias foram por knockout ao primeiro round, tanto por mérito próprio como por falta de comparência de uma oposição forte, séria e combativa. Da mesma forma que “secou” a oposição “secou” o seu partido, trouxe Viseu até aqui e a leitura do seu testamento político tem dia marcado. A legislatura Ruas, com tudo de positivo e negativo que encerra, merece mais do que  duas linhas, merece uma análise profunda que a seu tempo deverá ser feita. Entretanto, alguns herdeiros já se perfilam, outros esperam melhor oportunidade. Resta esperar que o voto (sorte grande) saia ao candidato melhor preparado e com o sentido de serviço público mais apurado. 
E o que devemos exigir ao herdeiro? As minhas recomendações são simples, ao candidato pede-se: honestidade intelectual; honradez pessoal; profundo conhecimento da realidade local; discurso directo e claro; autonomia, relativamente ao seu partido; intransigência na defesa dos direitos da cidade; aposta numa cultura de meritócracia. O seu programa deverá ser curto, simples e integrado (sem ideias avulsas), contemplando entre outros aspectos: atracção de investimento (emprego precisa-se); dinamização do centro histórico (ponto obrigatório e multidisciplinar); Feira de São Mateus como agente económico e cultural da região; solidariedade social; posicionamento de Viseu a nível nacional (Viseu como sinónimo de qualidade); aumento da oferta cultural (indoor e outdoor ao longo do ano); criação de novos espaços verdes (rotundas não contam); aposta no desporto amador e escolar; Viseu como destino turístico para todas as idades e todos os bolsos.
ATENÇÃO LEITOR, alturas de indefinição, por norma, atraem ratos com vontade de roer a rolha da garrafa do rei Ruas, o seu voto deve ser ponderado.

Última nota para os média: No acompanhamento do acto eleitoral pede-se, independência, preparação, pensamento analítico, espírito crítico, capacidade de investigação, coragem para fazer as perguntas certas na hora certa. No fundo, que desempenhem a sua profissão sem contemplações ou silêncios comprometedores. 

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