sábado, 18 de fevereiro de 2012

Política de vinil para uma geração 2.0


Uma tarde de ócio sem me cruzar com política... não é fácil! Não acredita? Então, avanço com a explicação.
Vou até ao café, mais simpático, perto de minha casa e ouço alguém avançar com um definitivo: "Na política é vira o disco e toca o mesmo". De repente os sinos tocam na minha cabeça e eu, que detesto frases definitivas, lanço um olhar. Rapidamente percebo o que me separa do orador. Além das 4 mesas, o que nos separa é o suporte musical.
Deixei o leitor confuso? Então passo a esclarecer. 
O citado cidadão será da geração de 50, logo cresceu a ouvir música em vinil. No seu tempo, a música ouvia-se no lado A e lado B. A política, de então, aproveitou a moda e "virar o disco e tocar o mesmo" passou a ser prática comum, tanto nos discursos como na acção. A minha geração cresceu num mundo em rápida evolução, do CD para o MP3 até ao Itunes. Para mim, a música começa por ouvir um single. Se gosto procuro o resto do álbum, e apenas guardo as músicas que me fazem abanar a cabeça; se não me agrada dou uso à tecla delete, passo para o próximo artista, assunto encerrado. Já a política também passa por uma análise crítica constante, tanto ao que é dito como ao que é feito.
O mundo evoluiu, as novas gerações estão mais atentas. Tal como o vinil, que é uma recordação do passado, procurada apenas por coleccionadores, o caciquismo em breve será artigo para coleccionadores. 
Com as eleições às concelhias, espero que as novas lideranças entendam isso. Infelizmente, até agora os sinais são preocupantes.

Políticas de vinil não seduzem o mundo 2.0.

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